24.10.05

Se isso aqui tem leitores, eles já deviam achar que eu havia desistido de escrever. Pois bem, cara-pálidas, voltei.

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Feriado prolongado em Paraty. Agora eu sei porque o Amyr Klink navega, navega, navega e sempre volta pra lá. A cidade disputa com Florianópolis, pau a pau, minha aposentadoria. Paraty, entre dois sonhos: praia e montanha. Ali a cachoeira escorre deliciosa enquanto o mar acaricia areias de uma porrada de ilhas (dizem que uma para cada dia do ano). Isso sem contar as praias que se escondem depois de uma trilha, atrás do morro, depois da pedra etc.
O problema é o preço. Turismo pra gringo (quase todo mundo por lá) é assim; pra inglês ver, pra inglês pagar. Cuidado com a pizza: o preço é pra três, mas só dá para um.
Mas eu volto.
Foi tão bom que meu celular resolveu ficar por lá. Perdi o aparelho, mas o cara do 0800 jurou que o número eu recupero. Basta apresentar o B.O., que lá não deu pra fazer. Burocracia em cidade turística é pra matar qualquer passeio.

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É, o "Não" ganhou. Aperta o 1 pra dizer não, o dois pra dizer sim. Eu apertei o três - justifica, confirma, pililililim - e fui pro Strokes. Que, aliás, foi fantástico.
O povo disse "Não" pro Lula. Só assim mesmo. Se a pergunta fosse outra - Você é a favor ou contra o governo Lula? - não ia dar sim nem não. Alguém aí apertaria "Confirma"?

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O Comunique-se queria saber meu voto. Tinha espaço para deixar recado. Disse:
"Realizações de referendos são importantes para envolver a discussão pública e a sociedade no processo democrático, aproximar o cidadão do poder e fazer ouvir o eleitor.
No entanto, o modo às pressas como este referendo foi construído acabou por alijar a sociedade da discussão e abafar a crise que envolve o governo.
Um excelente mecanismo de consulta popular foi transformado em uma manobra vil para afastar os holofotes da corrupção nacional."
Desde que voltei aos bancos acadêmicos uns respingos de Centro Acadêmico escorrem vez ou outra. Ô discursinho fácil...