DOS MENINOS DE SÃO PAULO
Os meninos de rua de São Paulo são assim, meio que sem, meio querendo ter. Uma cara perdida que até assusta. Pululam praças, marquises e etceteras. Têm esse ar de quem não sabe mas engana, insolente.
Assustam, enfadam e entristessem.
Não por terem perdido a capacidade de sorrir; qualquer moeda no chão, comida no bar, velhinha assustada e perna de fora enchem a boca de riso.
Não por terem perdido o medo, que de polícia todo mundo corre.
Não por terem perdido o sonho, que eles dormem.
Assustam, isso sim, por terem perdido a capacidade de chorar.
18.8.05
Dizem que quem chega na Cidade Grande - e Cinza logo vira da gema.
Ontem dormi no ônibus, com direito a boca aberta e tudo mais. Depois um cara caiu no chão perto de mim e ficou lá, esticadão, com uma cara meio de bêbado, meio de dor. Talvez os dois. Tinha um monte de gente por ali. Fui embora. Ele ficou. Ele e o monte de olhos nele.
Logo bateu culpa. E vergonha da mulher me olhando quando acordei no ponto final. Ufa! Tem um pouco de Paraná aqui ainda.
***
A especialização vai bem, obrigado. No segundo dia já parti pro bate boca: "Deixa ela falar, meu! Só você que pode falar por aqui?" Depois eu e o cara que não deixava ninguém falar trocamos uma idéia pra ficar tudo de boa. Lógico que na mais pura hipocrisia.
E um dos professores, que barato. Velhaco, cabelo branco e sem tesoura desde os anos 60. Calça boca-de-sino e um jeitão de hippie que não perdeu o sonho. Apesar do detalhe, o cara é - ou parece ser - muito bom.
Se bem que, depois de quatro anos de graduação, farejo picaretagem à distância. E esse não fede, não.
Ontem dormi no ônibus, com direito a boca aberta e tudo mais. Depois um cara caiu no chão perto de mim e ficou lá, esticadão, com uma cara meio de bêbado, meio de dor. Talvez os dois. Tinha um monte de gente por ali. Fui embora. Ele ficou. Ele e o monte de olhos nele.
Logo bateu culpa. E vergonha da mulher me olhando quando acordei no ponto final. Ufa! Tem um pouco de Paraná aqui ainda.
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A especialização vai bem, obrigado. No segundo dia já parti pro bate boca: "Deixa ela falar, meu! Só você que pode falar por aqui?" Depois eu e o cara que não deixava ninguém falar trocamos uma idéia pra ficar tudo de boa. Lógico que na mais pura hipocrisia.
E um dos professores, que barato. Velhaco, cabelo branco e sem tesoura desde os anos 60. Calça boca-de-sino e um jeitão de hippie que não perdeu o sonho. Apesar do detalhe, o cara é - ou parece ser - muito bom.
Se bem que, depois de quatro anos de graduação, farejo picaretagem à distância. E esse não fede, não.
8.8.05
Ontem dormi tarde, hoje acordei cedo, tenho que acordar cedo amanhã e vou dormir tarde hoje. Uau, estou ligadíssimo! Já tinha tentado a fórmula Kerouac + Bob Dylan + vinho, e foi catarse. Já vinho + Janis Joplin + Bukowski é tiro! É pico! E bota malditos exclamações aí!!!
(Isso fica horrível no texto, mas quem se importa?)
Fazia tempo que ela não gritava rouca no meu ouvido. Mas confesso que senti mais saudades do Velho Safado. Bukowski, esse é o cara.
Deitei e rolei com Leminski, ri e chorei com D. Trevisan, desentendi Clarice, fingi Nietzsche e por aí vai.
Bukowski é o cara.
Bukowski é certeiro, vai na mosca, no alvo. Não mira e não erra. De olho fechado te derruba, mas só o ponto certo pra te deixar com raiva, com vontade de levantar correndo e partir pro ataque de novo. Pra tomar outra, e outra, e outra. Desiste, você vai perder.
O Velho Safado, 71 anos, sem perder o punch.
Li – e preferi – Kerouac. Ginsberg e seus despertadores caindo na cabeça. Crumb e suas mulheres gordas. Não me venham falar dos beats. Só quero curtir o cara.
Bukowski é o cara.
Esse filho da puta tira o sono. É quase um pesadelo, não fosse tão delicioso.
E quem melhor pra odiar a humanidade?
Não, eu não odeio você. Só é divertido ler um cara metendo o pau nisso tudo aí em volta. Eu gosto de gente. Até admiro. Gente faz coisas fantásticas, cria e recria como quiser.
Se não gosta de uma coisa, resolve fácil. Derruba e faz outro.
Não gostou do texto? Apaga.
A foto ficou ruim? Tira outra.
A tinta escorreu? Passa outra mão.
O programa é chato? Muda de canal.
O país é bobochatofeio? Invade e monta outro. Nem que seja só para terminar o serviço que o papai deixou pela metade.
Simples assim.
Bukowski é o cara.
***
Chefes às vezes vêm com umas que são demais.
Dia desses o meu adaptou frase de Agosto, do Rubem Fonseca: “O corcunda sabe como dorme”.
Solta, livre, pululando no meio da tarde. E quem trabalha depois?
***
Fazia tempo – acho que desde sempre – que esse blog não tinha um post tão comentado, dentro e fora da net (coisa estranha, isso de dentro. Porra, como é que está dentro de uma coisa que tecnicamente não existe?). De Caçulas & Aniversários é meu grande sucesso.
***
Se alguém quiser saber, continua tudo igual na Cidade Grande – e Cinza. O mesmo trampo, o mesmo apê/baia/cafofo, as mesmas baladas, o mesmo trânsito. Mas as férias de julho deram uma folga pra um monte de carros. Só que eles já voltaram. Descobri que adoro trabalhar nas férias.
***
Bukowski continua o cara. É pico. É tiro. Ainda sem sono, ainda ligado, ainda pirado.
Uau.
Não que isso importe pra você – aliás, não me importa nem um pouco se você está ligando pra isso.
(Isso fica horrível no texto, mas quem se importa?)
Fazia tempo que ela não gritava rouca no meu ouvido. Mas confesso que senti mais saudades do Velho Safado. Bukowski, esse é o cara.
Deitei e rolei com Leminski, ri e chorei com D. Trevisan, desentendi Clarice, fingi Nietzsche e por aí vai.
Bukowski é o cara.
Bukowski é certeiro, vai na mosca, no alvo. Não mira e não erra. De olho fechado te derruba, mas só o ponto certo pra te deixar com raiva, com vontade de levantar correndo e partir pro ataque de novo. Pra tomar outra, e outra, e outra. Desiste, você vai perder.
O Velho Safado, 71 anos, sem perder o punch.
Li – e preferi – Kerouac. Ginsberg e seus despertadores caindo na cabeça. Crumb e suas mulheres gordas. Não me venham falar dos beats. Só quero curtir o cara.
Bukowski é o cara.
Esse filho da puta tira o sono. É quase um pesadelo, não fosse tão delicioso.
E quem melhor pra odiar a humanidade?
Não, eu não odeio você. Só é divertido ler um cara metendo o pau nisso tudo aí em volta. Eu gosto de gente. Até admiro. Gente faz coisas fantásticas, cria e recria como quiser.
Se não gosta de uma coisa, resolve fácil. Derruba e faz outro.
Não gostou do texto? Apaga.
A foto ficou ruim? Tira outra.
A tinta escorreu? Passa outra mão.
O programa é chato? Muda de canal.
O país é bobochatofeio? Invade e monta outro. Nem que seja só para terminar o serviço que o papai deixou pela metade.
Simples assim.
Bukowski é o cara.
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Chefes às vezes vêm com umas que são demais.
Dia desses o meu adaptou frase de Agosto, do Rubem Fonseca: “O corcunda sabe como dorme”.
Solta, livre, pululando no meio da tarde. E quem trabalha depois?
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Fazia tempo – acho que desde sempre – que esse blog não tinha um post tão comentado, dentro e fora da net (coisa estranha, isso de dentro. Porra, como é que está dentro de uma coisa que tecnicamente não existe?). De Caçulas & Aniversários é meu grande sucesso.
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Se alguém quiser saber, continua tudo igual na Cidade Grande – e Cinza. O mesmo trampo, o mesmo apê/baia/cafofo, as mesmas baladas, o mesmo trânsito. Mas as férias de julho deram uma folga pra um monte de carros. Só que eles já voltaram. Descobri que adoro trabalhar nas férias.
***
Bukowski continua o cara. É pico. É tiro. Ainda sem sono, ainda ligado, ainda pirado.
Uau.
Não que isso importe pra você – aliás, não me importa nem um pouco se você está ligando pra isso.
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