31.12.05

Muito bem, muito bem, cá estamos nosotros de regreso a la computadora. Direto de Comodoro Rivadavia, onde mora o Shaman, amigo da Mari. Mas primeiro as últimas notícias de Buenos Aires.

29/12 - dia 4 (continuacao)
Chegamos à Plaza de Mayo e topamos com as Madres e seus protestos. Contra Bush, a dívida externa, juízes da época da ditadura e tudo mais. Como a Argentina também já pagou o FMI e nao dá mais para expulsar o Fundo, a hora é de fazer barulho pela distribuicao de renda. Elas sao muito organizadas, o trabalho é muito bem feito. Coisa de louco. Louco mesmo, aliás, eram os brasileiros que comecaram a gritar "Brasil, Cuba, Argentinañ juntos defendendo a América Latina!". Lembrei de meus tempos de movimento estudantil.
Falando em brasileiro, nao aguento mais tanto corinthiano. É um tal de "ôrra, meu" pra todo lado que já encheu o saco.
Pegamos o ônibus pra Comodoro às 21h.

30/12 - dia 5
Acordei 6h com uma criança berrando. Normal. Fora do ônibus a estrada continuava a mesma desde quando saímos de Foz. Uma reta só, sem curvas nem montanhas. Um platô só. Com a diferença que o pasto deu lugar a um enorme deserto com vegetaçao rasteira. Fazendas enormes, com pouquíssimos animais (estamos na seca por aqui) e quase nenhum ser humano. Sem cidades, sem ranchos, sem postos de combustível. Pega um mapa e vai descendo. Dá para contar em duas maos quantas cidades estao entre Buenos Aires e Comodoro. Em 24h de viagem.
Chegamos às 21h, debaixo de um sol incrível. Sim, meus amigos, às 22h30 ainda havia um restoio de luz, suficiente para conseguir ler alguma coisa sem luz natural.
A casa do Shaman fica na beira de uma praia de pedras. Sua família (papai, mamae, irmao, avó, namorada, dois boxers e um dobermann) é muito gente boa. Dá até vontade de ficar mais por aqui.
Ele nos levou a uma suposta festa rave. Às 4h já dava pra saber em que lado o sol nasceria. Incrível como aqui tem muito mais sol que no Brasil. Mas o frio é coisa de louco. Às 21h30 a gente estava de camiseta. Foi só o sol se esconder e chegar o vento de dobrar árvore (árvores enormes crescem tortas por causa do vento) que uma blusa de la e um casaco nao foram suficientes.

31/12 - dia 6
6h30 fomos dormir. Já fazia calor de novo. Troço doido.
Cinco anos atrás Comodoro tinha pouco mais de cem mil pessoas. Por causa do petróleo (aqui se produz 1/3 do petróleo argentino) e da promessa de cidade mais próspera (e cara) daqui, hoje tem o dobro de gente. E deserto, e praias frias (molhamos o pé na Patagônia! Missao cumprida), e vento.
Amanha saímos às 21h pra El Calafate. Chegamos dia 2, às 12h.
Feliz Ano Novo pra todo mundo. Com muitas viagens, que isso é bom pra caramba.

29.12.05

Puta merda. Tinha escrito um montao sobre esta viagem e de repente o computador apagou. Agora vocês ficam com o que minha paciência guardou. Pior ainda porque o teclado daqui nao tem o acento til.

Pois bem, senhoras e senhores, leitores anônimos deste blog. Depois de socorrer um motoqueiro na estrada, enfrentar duas noites de viagem e ficar 48h sem banho, a Mari e eu chegamos em Buenos Aires (BA). Saímios de Foz dia 26/12 (dia 1) e descemos em BA dia 27/12 às 8h. Daí ao albergue foi um pulo. Estamos no Tango Beckpackers, no bairro de Palermo. De acordo com a Mari é o quarto mais sujo - e sem banheiro - que já ficamos.

Dia 27/12 - dia 2
La Recoleta e suas praças, Museo de Bellas Artes e seus Rodins, van Goghs, Picassos e Degas, a Biblioteca Nacional e sua vista da zona portuária.
Descobrimos que argentino(a) adora se exibir. Digo, se exibir aqui também. É só bater um calorzinho que o povo vai tomar sol nas praças. Que estao cheias de gatos de rua e cachorros na coleira (e suas respectivas mierdas. Nao, aqui nao é tao parecido com a Europa assim).
Argentino de BA que se preze é educado e gentil. Agradece, dá informaçao e se preocupa. Mas se resolve ser grosseiro... Mesmo assim, a impressao quer tivemos do povo daqui é muito melhor do que esperávamos.

dia 28/12 - dia 3
Com muita sorte conseguimos vaga para a visita guiada ao Teatro Colón. Belíssimo, acústica perfeita, 3000 lugares, quase 98 anos de idade. Recebe óperas, concertos e balés. Cenários e figurinos sao feitos lá mesmo.
À tarde fomos a La Boca. Zona pobre do primeiro porto do rio Plata, reformada para receber artistas e atrair o turismo para a regiao. Nuevas amistades com um casal mexicano e um artista de 81 anos. Até ganhamos um quadro, veja só! Só a conversa com Pedro Gulkis já valeu a viagem. O velhinho se despediu com lágrimas nos olhos e dois amigos encantados.
Nossa busca por um restaurante com tango para a janta nos rendeu pés doloridos, cansaço e três minutos de show. Fica pra volta, se der tempo.

Dia 29/12 - dia 4
O dia começou em um metrô dos tempos dos primeiros vagoes, todo em madeira. Muito legal. História, cultura e turismo se misturam muito bem com o dia-a-dia porteño. Fomos ao Congresso, onde logo ali descobrimos sem querer, em uma virada de pescoço, a sede das Madres de la Plaza de Mayo. Alguém precisam tomar uma providência. Estou avisando, senao elas fazem a revoluçao. Lá há uma livraria recheada de nomes como Che, Marx, Lênin, Mao e qualquer outro "do contra". Também tem um monte de revistas, jornais e informes de partidos comunistas, socialistas, operários, grupos piqueteros, anarquistas e qualquer outro que queime uma bandeira americana.
Agora (15h) vamos ver a Casa Rosada e arredores. Às 21h pegamos o ônibus para Comodoro Rivadavia. Mais 26h de viagem. Ficamos lá até dia 01/01.

Desculpem o atraso. Logo terao mais notícias. Se der, boto umas fotos por aqui.

21.12.05

As passagens estão compradas. De ida e volta. Sim, vamos para a Argentina. Dia 26/12, ao meio-dia, boto o pé no ônibus lá em Foz. Se tudo seguir nos conformes vai ser Buenos Aires, Comodoro Rivadavia, El Calafate/Los Glaciares, El Chaltén/Los Glaciares, Puerto Natales/Torres del Paine (Chile), Punta Arenas (Chile), Ushuaia, Rio Gallegos, Península Valdéz e Buenos Aires de novo. Com direito a mudanças. Brasil de novo, só dia 14/01.
Se eu achar internet, tempo e vontade, faço aqui um diário da viagem. É só me visitar.

1.12.05

Mais um tempão longe daqui. Para me desculpar, fiquem com este trecho do conto "Gente con Walkman", do argentino Rodrigo Fresán. Tradução livre.

"Alejo deixa o telefone e se afunda na água da banheira. Abre os olhos debaixo d'água e segura a respiração o máximo que consegue. O mundo deveria ser assim, pensa, azul e leve e com a possibilidade de tirar a tampa e esvaziá-lo para voltar a enchê-lo com o que quiser."

Cassaram o Roberto Jefferson por não ter provas do Mensalão. E depois cassaram o Dirceu por comandar o Mensalão. Tem mutreta nessa história.
Os dois - e três, e quatro, e dez, e quantos forem necessários - merecem, mas não da forma como foi conduzida essa investigação. Que há Mensalão todo mundo sabe. Mas até agora só me provaram que o Congresso não anda lá essas coisas. Aliás, acho que nunca andou.