21.8.04

Terminei de ler "Mundo Mudo," último livro de Donizete Galvão (ed. Nankin, 104 pág., poesia). Há tempos não lia alguma alguém que eu não conhecia e que gostei muito. Principalmente dos poemas com referências ao interior (cidades pequenas, sítios) e, em especial, o poema homônimo:

salta, mundo,
desse caroço
de pedra
em que estás aprisionado

toda rua termina
em muro
toda palavra representa
uma falha

salta, mundo,
desse caroço
de pedra
vence
as camadas de aluvião
para que aflore
um grão
um broto
um grito
para quem está exausto
de auscultar teu corpo
ferido"

Se vc encontrar, compre. É difícil encontrar os livros dessa editora.
FAZ TEMPO

Faz tempo que não escrevo. Montei esse blog para escrever mais, mas ainda estou me acostumando a isso.
Sempre quis escrever sobre cultura, mas tudo conspirou para o agronegócio. Me pego ao lado de um monte de livro que comprei durante a faculdade pesquisando na internet sobre cruzamento industrial de bovinos, sobre a raça sintética Santa Gertrudis, ganho de peso, acabamento de carcaça, manejo etc. Chega a ser engraçado. Hoje sei mais de manejo racional de bovinos do que sobre a panorâmica teatral nacional. O cinema, grande paixão, perdeu espaço para exportações de carne, rodízio de pastagem, vacinação contra aftosa.
Gostei. O jornalismo de agronegócio tem muito a oferecer e dá para aprender e desenvolver muito na área. Um filão bastante interessante.
A cultura não ficou de lado, mas agora é mais lazer do que nunca. Exceção para o cinema. Há uma remota possibilidade de um trampo em um longa com orçamentos reduzidíssimos. Vamos ver o que é que dá. Se der certo, este blog publicará.

6.8.04

SAMPA

Tô em São Paulo. Na verdade já cheguei há alguns dias e daqui a outros vou embora. Gosto daqui. Tem muita coisa. Tudo caro. Sempre tem alguma coisa de graça, mas dessa vez não vi nada ainda.
São Paulo é um caleidoscópio cinza, com pretos desbotados e brancos sujos. Às vezes surge um azulzinho no céu, igual que nuvem em deserto, vem e vai rápido demais. Mas é legal.
Só que não tem nada. Não tem emprego, não tem trabalho, não tem freela. Tá foda. Vim pra cá atrás de alguma coisa, e acho que vou voltar sem coisa alguma. Mas inda dá tempo. Quem sabe esse cinza todo se anima e me dá um céuzinho azul só pra mim. Ia ser legal.