Enquanto não chegava "Pergunte ao pó", do John Fante, fiquei com Hemingway e seu "O sol também se levanta".
Famosão, Hemingway escreve muito bem. Dizem críticos, especialistas e outros dizedores de plantão que ele tirou o estilo do jornalismo. Frases curtas, diretas e tal. Verdade. Escreve e escreve e escreve. Ou melhor, Escreve, Escreve, Escreve, com "E" maiúsculo. Frases precisas, muito bem colocadas e absolutamente ricas. A história, porém - assim como me aconteceu com "Sonhos de Bunker Hill", do Fante -, não me pegou de jeito. É boa, flui, desenrola legal, dá vontade de não soltar o livro, mas não gostei dos personagens. Talvez seja a exagerada influência de Dalton Trevisan, Bukowski e Kerouac e seus respectivos vagabundos. Aí um grupo abastado, viajando para cima e para baixo na Europa atrás de touradas, pescarias, vinho e bons restaurantes não me agrada.
Mas nada que desmereça Hemingway. O cara é bom. De verdade.
Ontem chegou "Pergunte ao pó", a segunda chance de Fante se redimir comigo. Tenho dessas: quando teimo com um autor, vou fundo. Teimei com Bandini, o alter ego chorão do autor. "Sonhos..." me mostrou a prosa de Fante eu um Bandini deseperado por atenção. Gostei do Fante, não gostei do Bandini. "Sonhos..." foi o último livro dele, ditado para sua mulher quando ele estava cego.
Gosto de autores jovens, inconseqüentes e acreditando estar fazendo algo excepcional, mesmo que não o sejam. Teimoso que sou, resolvi descobrir Bandini em sua origem. Já passei de 1/4 do livro. E por sorte sou teimoso, senão Bandini seria para sempre um resmungão.
Taí, Fante vale a pena. Já ocupa lugar de destaque na prateleira. Bem-vindo, Bandini!
***
Da bibliografia oficial de Dalton Trevisan, minha primeira paixão literária, só me faltava "20 contos menores". Faltava. Seis anos de busca depois, achei o livro no sebo. Está tudo ali, na prateleira. Um a um (alguns deliciosamente repetidos, só para variar a capa):
Novelas Nada Exemplares. 5. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1979.
Cemitério de Elefantes. 7. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1984.
Morte na Praça. 4. ed. rev. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.
O Vampiro de Curitiba. 13. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1992.
Desastres do Amor. Civilização Brasileira, 1968.
Mistérios de Curitiba. 5. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1996.
A Guerra Conjugal. 8. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1979.
O Rei da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.
O Pássaro de Cinco Asas. 4. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1979.
A Faca no Coração. 2. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1979.
Abismo de Rosas. 2. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003.
A Trombeta do Anjo Vingador. Rio de Janeiro: Codecri, 1977.
Crimes de Paixão. 2.ed. Rio de Janeiro: Record, 1978.
20 Contos Menores. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 1979.
Primeiro Livros de Contos. Rio de Janeiro: Record, 1979.
Virgem Louca, Loucos Beijos. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1980.
Lincha Tarado. Rio de Janeiro: Record, 1980.
Chorinho Brejeiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1993.
Essas Malditas Mulheres. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.
Meu Querido Assassino. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1988
Contos Eróticos. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003.
A Polaquinha. 4. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1985.
Pão e Sangue. Rio de Janeiro: Record, 1988.
Vozes do Retrato. São Paulo: Ática, 1991.
Ah, É?. Rio de Janeiro: Record, 1994.
Dinorá: novos mistérios. Rio de Janeiro: Record, 1994.
234. Rio de Janeiro: Record, 1997.
Em Busca de Curitiba Perdida. 5. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 2000.
Quem Tem Medo de Vampiro?. São Paulo: Ática, 1998.
111 Ais. Porto Alegre.: L&PM, 2000.
O Grande Deflorador. Porto Alegre: L&PM, 2000.
99 Corruíras Nanicas. Porto Alegre: L&PM, 2002.
Pico na Veia. Rio de Janeiro: Record, 2002.
Continhos Galantes. Porto Alegre: L&PM, 2003.
Capitu Sou Eu. Rio de Janeiro: Record, 2003.
Arara Bêbada. Rio de Janeiro: Record, 2004.
33 Contos Escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005.
A Gorda do Tiki Bar. Porto Alegre: L&PM, 2005.
Revista Joaquim. Edição fac-similar dos volumes 01~21. Coleção Brasil Diferente. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2001.
Livros sobre Dalton Trevisan
SANCHES Neto, Miguel. Biblioteca Trevisan. Curitiba: Ed. da UFPR, 1996.
WALDMAN, Berta. Do Vampiro ao Cafajeste. São Paulo: Hucitec; Curitiba: Secretaria da Cultura e do Esporte do Governo do Estado do Paraná, 1982.
27.6.06
21.6.06
Longe daqui tempo demais. E tempo demais sem ver coisa boa. Perdi, pela enésima vez, a peça "Kerouac". Monólogo do meu amigo Maurício Arruda Mendonça, Mário Bortolotto no papel-título e Jack Kerouac escancarado em cena.
Seria fantástico. Não fui. De novo. Deprimente.
***
Fazia tempo que não colocava Garotos Podres pra tocar. Bom demais! "Saddam Hussein", "Batman", "Rock de Subúrbio", "Fernandinho Viadinho", "Anarquia Oi!" e a clássica "Proletários".
Excelente, ainda mais depois que ela me chamou de reacionário.
Seria fantástico. Não fui. De novo. Deprimente.
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Fazia tempo que não colocava Garotos Podres pra tocar. Bom demais! "Saddam Hussein", "Batman", "Rock de Subúrbio", "Fernandinho Viadinho", "Anarquia Oi!" e a clássica "Proletários".
Excelente, ainda mais depois que ela me chamou de reacionário.
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