3.10.06
10.9.06
Às vezes a gente é pego tão de sopetão que até acha que é mentira, brincadeira de mau gosto ou um sonho chato que ainda não terminou.
Ainda descobria de fato o que era o jornalismo quando conheci Francelino França, então jornalista do caderno cultural da Folha de Londrina. Corria 2001, eu estava no segundo ano do curso e trabalhava na produção do Festival Internacional de Teatro de Londrina - Filo. E o França sempre aparecia por lá, cobrindo os grupos que eu tinha que acompanhar. Um ano depois fizemos um curso de cinema juntos, e mais tarde ele era meu chefe no documentário "Londrina em Três Movimentos".
Tomei bronca e aprendi pra caramba com ele, que virou banca do meu TCC. E aquelas palavras que disse no final da minha apresentação sempre irão me acompanhar, algo como um mantra, algo como um aviso, algo como um puxão de orelha do amigo mais velho: "o mercado está ganhando um jornalista com ética e responsável". Pode deixar, mestre. É uma ordem. Um garoto de 23 anos recebendo os parabéns de um jornalista com, sei lá, uns 45/50 - o França nunca contava pra ninguém quantos anos tinha. E mais: um jornalista que eu admirava. Com texto excelente, com muita informação "extra-pauta" e com aquele gostinho bom de caderno cultural.
Vi poucas vezes meu amigo França depois que vim pra São Paulo. Mas sempre estive meio que na cola dele, fuçando aqui e ali, atrás de informações sobre "Maria Angélica", o filme que ele dirigia. Depois de anos batalhando, ele finalmente realizava o sonho de dirigir um filme. Com um roteiro original, feito pelo próprio, lapidado e construído por um ator, jornalista e exímio conhecedor do negócio.
Ontem Fança foi embora e deixou uma obra inacabada. Terminou as filmagens, mas não viu o filme editado. Trabalho pra patota de Londrina, que deve a ele uma grande homenagem.
Adeus, França.
Valeu. Obrigado. Um dia a gente se encontra de novo.
15.8.06
Hoje foi a vez dos metroviários cruzarem os braços e deixar São Paulo com cara de criança perdida.
Chego a ter dó do Lembo. Do Kassab também, apesar dos dois problemas recaírem sobre o governo estadual. É que a população aproveita para botar a culpa em todo mundo. E até do PFL eu tenho dó. Um pouquinho só, mas tenho. Dois dos três maiores poderes do Brasil na mão deles e quê? Tudo deu errado.
3.8.06
Férias em Cascavel é sempre a mesma coisa. Alterno as tardes entre o computador, a tevê a cabo e as ameixas amarelas colhidas no pé. Durmo tarde e acordo mais tarde ainda. Fico prometendo fazer meus trabalhos da especialização e repetindo "daqui a pouco", "mais tarde" ou "depois" pra mim mesmo. Olho pra fora, passeio no quintal, finjo um jogo de bola, olho a estante, mexo nos enfeites, essas coisas. Deixo o tempo passar escorrido, sem pressa.
Já de madrugada, descubro geladeira armários vazios. Casa de mãe com mãe visitando a vó fica assim, perdida. Boto meia cebola e um dente de alho na frigideira, dourando na manteiga. Quando acho que está bom, completo com três ovos, algumas fatias picadas de presunto, queijo ralado, sal e pimenta a gosto (era o que tinha disponível). Deliciosos ovos mexidos às três da manhã, agora com mais pimenta. Desta vez, jalapeños mexicanos. Ainda com fome, completo com um grande copo de leite. Subo, escovo os dentes e vou pra cama. Não consigo dormir, alguma coisa se mexe dentro de mim. Sempre me dá sede depois que escovo os dentes. Com preguiça de descer por um copo d'água, tomo dois ou três goles da torneira mesmo.
Eu sabia. A água da Sanepar não ia me cair bem.
p.s.: À mistura cebola+alho+manteiga+ovos+presunto+sal+pimenta+pimenta de novo+leite+Toddy+água da torneira dei o consistente nome de "Pesadilla".
25.7.06
do que qualquer homem pode suportar.
Bukowski, em "Eles, todos eles, sabem" (Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém. Tradução de Fernando Koproski. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005).
Pontual, ferino e certeiro, como sempre.
Amém, velho Buk, amém.
22.7.06
Escrevi um qualquer coisa sobre isso. Desses textos brutos e danados de ruins que a gente faz pra gente mesmo e torce pra ninguém descobrir. Por força de vaidade, talvez, embora eu acredite que seja mais pela falta de vergonha que a distância virtual nos permite, deixo aí parar quem quiser ler, meu destempero quando obsecado pelas minhas companhias solitárias: os livros.
OBSESSÃO, OBSESSÃO, OBSESSÃO
O que é essa louca obsessão, esse desespero, esse quase-prazer doentio (que me dói sem ele), essa aflição-das-mãos-vazias, que não me deixa ficar sem livro?
Quando acaba um, uma estante inteira pula no meu colo implorando a página aberta, a frase decorada, o texto admirado, o autor glorificado. E quando se vai um e a mão fica sem companhia, os dedos ficam tamborilando no ar, como um ensaio louco, virando páginas e páginas que não existem ali, onde estão?, e os olhos correm os letreiros da rua, a cidade inteira a se transformar em um livro destemperado, sem regras nem estilo, mas com vontade, com brilho e com poesia.
Nem bem um descansa, o leitor compulsivo já dedilha e dedilha lombadas cintilantes. "Qual, qual o mais belo, o mais triste, o mais ferino, o de agora?" E ali tomba, como que por acaso, um qualquer – "Qualquer? Não há qualquer na tua estante, decidida a ser fortaleza, a ser majestosa guardiã de tantos aforismos, de tantos versos, de tantos loucos e desvairados, bêbados, solitários, viajantes e perdidos" –, que repousa triunfante, e agita as folhas e cospe letras e delicia a língua na boca – que repete calada a pontuação perfeita, a vírgula exata, o ponto no final certo – e se faz escutar mesmo sem dizer nada e toma de inveja tantos outros ali, sepulcros, uns que nunca mais se abrirão, outros que o tempo deixa passar, outros que irão a outras mãos, outros que serão para sempre os primeiros, e outros que, para sempre, serão outros; e todos, todos eles, todos meus, todos livros, são eu. Sou eu na estante, sou eu em páginas, sou eu palavras, versos, poemas, letras, pontos, e vírgulas, e vírgulas, eu sou as vírgulas exatas, eu sou o ponto final que nunca marcará a última página; eu sou o livro, a vida infinita, o bêbado, o viajante, o solitário, a prostituta, o milionário, o menino pobre, o velho pescador, a cozinheira. Sou eu, meu deus, Eu sou deus, Eu sou o livro, e as letras, e as minhas vírgulas e pontos finais, Eu sou Eu, e por isso não me basto e procuro mais, até que me ache por completo na dança de letras e vírgulas e pontos no salão do infinito.
E só assim me sou completo.
Não gosto o Alckmim. E me assusta sua política de segurança pública: mais prisões. Para usar a gíria bandida, mais faculdade. Como se a solução fosse varrer tudo para baixo do tapete - ou para dentro da carceragem. Sob seu comando São Paulo construiu presídios e lotou as celas, hoje com mais de 140 mil presos. E deu no que todo mundo viu.
Dias atrás escrevi sobre isso. Prometi mandar para algum jornal, mas desisti.
SEGURANÇA PÚBLICA PARA QUEM?
Soluções para a crise na segurança pública de São Paulo vêm aos montes agora, mas algumas em especial encontram voz em qualquer adolescente com um pouco menos de vídeo-game na cabeça. Educação e emprego, para evitar futuros delinqüentes, e penas alternativas para criminosos de menor periculosidade.
É desnecessário discorrer sobre a mudança social que uma boa educação pode possibilitar. Para aprender de verdade, entretanto, o estômago do estudante não pode competir com a lousa. Seja na escola ou em casa, o jovem carece de alimentação adequada para conseguir assimilar conteúdo e raciocinar corretamente. E emprego... bom, o tema dispensa qualquer comentário.
O Estado talvez encontre nas penas alternativas um modo de diminuir a tensão gerada pelo crime organizado. Se a bandidagem chama o presídio de faculdade, imagine o que um reles batedor de carteira não aprende lá dentro. Entra trombadinha e sai membro de organização criminosa. Convive com seqüestradores, assassinos, ladrões de banco, falsificadores e todo um leque de contraventores de todos os portes, ajudando a abarrotar as já superlotadas cadeias nacionais.
Para quê serve a prisão? A meu ver, é um castigo social imposto àqueles que fogem das regras estabelecidas para a boa convivência em comunidade. Alija-se o criminoso da sociedade, na esperança de desencorajá-lo a cometer novos delitos. Também é – ou deveria ser – uma forma de reintroduzi-lo no convívio social, após cumprida a pena, como um membro, e não pária, da comunidade.
A população carcerária do estado de São Paulo passa da centena de milhar. A maioria passa o dia em celas apertadas junto, com dezenas de outros condenados, fazendo nada. É de se imaginar o tipo de conhecimento que adquirem nesta faculdade. Os presos criaram uma sociedade própria, com regras estabelecidas por eles e destoantes dos códigos e regulamentos que norteiam a vida de quem anda na linha. Assim, a cadeia não é mais um castigo, já que ali o bandido encontra uma comunidade onde ele facilmente se integra.
Presos de menor periculosidade e de fácil reinserção social deveriam estar fora das grades, cumprindo penas como serviços comunitários, varrição de ruas, obras em igrejas, limpeza de terrenos baldios e fundos de vale, auxílios em asilos e creches, e mais um sem-número de opções. Aprendem valores como disciplina, hierarquia, respeito e auto-estima, além de darem importância ao trabalho e às conquistas provenientes dele.
Já os perigosos, estes sim, devem ser trancafiados atrás de portões de ferro. No entanto, assim como os outros, também devem ser condenados ao trabalho. De preferência, trabalho manual e cansativo. Depois de uma jornada, tal qual todo trabalhador honesto, não irão querer saber de nada além de uma boa noite de sono. E adeus rebeliões, adeus facções, adeus terror nas ruas. De quebra, o Estado gastaria menos com o sistema carcerário e teria, imagino, menos problemas com segurança pública.
Para todos os efeitos, o condenado que trabalhar tem parte de sua remuneração guardada em poupança, parte usada para gastos pessoais (sabonete, roupa de cama etc.) e parte usada para seus gastos prisionais. A redução na pena é um estímulo para o próprio continuar no trabalho. Os benefícios são muitos, muitos são os exemplos já existentes e muitas são as pessoas que discutem a implementação destas idéias. Lamentavelmente, poucas são as chances de elas virem a ser postas em prática. Poucas, também, são as vontades dos governantes e uma – há tempos esperada – política de Estado, e não um joguinho de toma-lá-dá-cá e de empurra-empurra entre grupos e partidos que se revezam no poder.
19.7.06
A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) dizimou a Europa Central. O conflito central era entre católicos e protestantes na Alemanha (que ainda não era Alemanha), tanto por motivos religiosos quanto políticos. A Guerra teve pé na França e na Suécia, e deixou danos gravíssimos no continente. O maior de todos foi demográfico. Quer dizer, morreu gente pra caramba. Algumas regiões da Alemanha só igualaram a população existente antes do conflito no século XX, 300 anos depois de passado o confronto.
E daí? Daí que depois dessa guerra começou-se a falar em direitos e afins. Nada tão pontual como crimes de guerra, mas descobriu-se que há limite para tudo. Até para a guerra. E um dos limites é o respeito à população civil. Isso foi há mais de 300 anos, antes da Revolução Francesa, e portanto não era nada tão bonitinho, não. Mas já mostravam preocupação com o dito povo.
O tempo passou, e depois da Segunda Guerra houve a mesma discussão. Por exemplo: Na época, os EUA jogaram as bombas sobre Hiroshima e Nagazaki para forçar a rendição do Japão. Na verdade, puniram os civisi pelos erros de seu governo. Hoje isso já não seria aceito. Suponhamos que Sadam Hussein merecesse tudo aquilo. Pois bem. Tirá-lo do poder e sufocar seu governo é uma coisa. Outra coisa - que os EUA nem ninguém um pouco civilizado seria louco de fazer - é dizimar a população com uma bomba atômica por culpa do dirigente. É óbvio que há torturas e execuções cometidas por soldados ianques no Iraque, mas nada que possa ser chamado de um ataque em massa contra civis por conta de seu regime político.
Todo esse rodeio para dizer: por quais razões desconhecidas ninguém dá a mínima pelo ataque israelense contra o Líbano? Já são 280 civis mortos, e os militantes do Hessbollah que morreram não enchem duas mãos! Segundo consta, os feridos batem a casa de 850 pessoas. Meio milhão de pessoas - meio milhão! quinhentos mil cidadãos! - abandonaram suas casas com medo do bombardeio.
Ora, qualé? Israel já passou dos limites. Defender-se vá lá. Desmantelar um grupo terrorista, idem. Mas fazer isso às custas de vidas inocentes? Em que século nós estamos? Em que mundo vivemos? Só existem direitos para ocidentais? E deveres? Só para árabes? Qualé, gente, qualé? Eu não consigo acreditar neste absurdo.
Concordo que existam terroristas. Concordo que tem um bando de loucos por aí com bombas amarradas no corpo. Mas também concordo que Israel roubou - sim, roubou - território palestino.
O território onde foi criado Israel era de domínio inglês. Sem forças, depois da Segunda Guerra, pra continuar com ele, resolveu doar o espaço para a formação do Estado judeu. Não levaram em consideração - eles nunca levam - os milênios de civilização árabe que existia ali. Então Israel foi crescendo, trazendo gente de todo canto, e precisava de mais terra pra plantar. Não preciso dizer de quem era a terra.
E agora, por causa de dois soldados, um Estado julga-se no direito - e o pior, todo mundo concorda - de atacar Deus (no caso, Alá) e o mundo. É o tipo de comportamento que se espera de terroristas: atacar quem não tem condições de se defender. Vemos um exército nacional, um país, um Estado, atacar brutalmente uma população de mulheres, crianças, velhos e trabalhadores. Vemos um governo destruir rede elétrica, reservatórios de água (devo lembrar que lá é deserto pra todo lado?), aeroportos, estradas e caminhões de ajuda humanitária. Vemos um regime democraticamente eleito usar da força e massacrar um já combalido Líbano, um povo suplicante de vida, uma nação arasada que insiste em se preservar, uma população que sofre nas mãos do Hesbollah. E quê?
Ao invés de sufocar regimes que defendem o grupo, como Síria e Irã, preferem brincar de pontaria em casas de família. Por que será? Medo? Cagaço puro de quem tem exército para revidar? Ou puro descaso com árabes (mesmo que no Líbano haja cristãos)? Seja lá qual for a resposta, ela é preocupante. Israel faz e desfaz na região, como se fosse um grupo terrorista cuja única missão é acabar com o outro lado. Igualzinho o Hesbollah.
Não sou anti-semita. Também não sou anti-americano, ou anti-chinês, ou anti-sírio, ou anti-venezuelano. Mas tem uns regimes políticos por aí que vou te contar...
12.7.06
Só para lembrar: Estas fotos foram tiradas com máquina digital. As feitas com máquina profi de filme ainda ão foram escaneadas. E algumas estão simplesmente fantásticas. Quer ver? Me dê um scanner que eu coloco tudo aqui.
Biblioteca de Buenos Aires. Argentino gosta de ler, mas tem que aprender arquitetura.
Imagine o trampo que foi construir o Obelisco, no meio de uma puta avenida....
Quer estudar Direito em Buenos Aires? É só subir a escadaria, com os cumprimentos da Mari.
O Teatro Colón é passeio obrigatório na capital argentina. Se vocë conhece a cidade e não passou por lá, pode voltar.
Eu no Caminito, fazendo o de sempre: espiando o mundo por trás da lente, escolhendo um pedacinho pra ficar ali, congelado, lembrança tímida parada no tempo.
Buenos Aires deve ter uma praça pra cada família. Sério. O povo fica lá, esticado. O problema é que todo mundo leva cachorro pra andar na grama. Geralmente tem gato de rua também. Mas se vocë desviar da sujeira, é gostoso aproveitar pra descansar. Detalhe: a foto foi tirada por volta das 20h30.

Literatura de bordo: "Viajante Solitário", de Jack Kerouac.
***
A Patagônia dispensa comentários.


9.7.06
27.6.06
Famosão, Hemingway escreve muito bem. Dizem críticos, especialistas e outros dizedores de plantão que ele tirou o estilo do jornalismo. Frases curtas, diretas e tal. Verdade. Escreve e escreve e escreve. Ou melhor, Escreve, Escreve, Escreve, com "E" maiúsculo. Frases precisas, muito bem colocadas e absolutamente ricas. A história, porém - assim como me aconteceu com "Sonhos de Bunker Hill", do Fante -, não me pegou de jeito. É boa, flui, desenrola legal, dá vontade de não soltar o livro, mas não gostei dos personagens. Talvez seja a exagerada influência de Dalton Trevisan, Bukowski e Kerouac e seus respectivos vagabundos. Aí um grupo abastado, viajando para cima e para baixo na Europa atrás de touradas, pescarias, vinho e bons restaurantes não me agrada.
Mas nada que desmereça Hemingway. O cara é bom. De verdade.
Ontem chegou "Pergunte ao pó", a segunda chance de Fante se redimir comigo. Tenho dessas: quando teimo com um autor, vou fundo. Teimei com Bandini, o alter ego chorão do autor. "Sonhos..." me mostrou a prosa de Fante eu um Bandini deseperado por atenção. Gostei do Fante, não gostei do Bandini. "Sonhos..." foi o último livro dele, ditado para sua mulher quando ele estava cego.
Gosto de autores jovens, inconseqüentes e acreditando estar fazendo algo excepcional, mesmo que não o sejam. Teimoso que sou, resolvi descobrir Bandini em sua origem. Já passei de 1/4 do livro. E por sorte sou teimoso, senão Bandini seria para sempre um resmungão.
Taí, Fante vale a pena. Já ocupa lugar de destaque na prateleira. Bem-vindo, Bandini!
***
Da bibliografia oficial de Dalton Trevisan, minha primeira paixão literária, só me faltava "20 contos menores". Faltava. Seis anos de busca depois, achei o livro no sebo. Está tudo ali, na prateleira. Um a um (alguns deliciosamente repetidos, só para variar a capa):
Novelas Nada Exemplares. 5. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1979.
Cemitério de Elefantes. 7. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1984.
Morte na Praça. 4. ed. rev. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.
O Vampiro de Curitiba. 13. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1992.
Desastres do Amor. Civilização Brasileira, 1968.
Mistérios de Curitiba. 5. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1996.
A Guerra Conjugal. 8. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1979.
O Rei da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.
O Pássaro de Cinco Asas. 4. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1979.
A Faca no Coração. 2. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1979.
Abismo de Rosas. 2. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003.
A Trombeta do Anjo Vingador. Rio de Janeiro: Codecri, 1977.
Crimes de Paixão. 2.ed. Rio de Janeiro: Record, 1978.
20 Contos Menores. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 1979.
Primeiro Livros de Contos. Rio de Janeiro: Record, 1979.
Virgem Louca, Loucos Beijos. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1980.
Lincha Tarado. Rio de Janeiro: Record, 1980.
Chorinho Brejeiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1993.
Essas Malditas Mulheres. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.
Meu Querido Assassino. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1988
Contos Eróticos. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003.
A Polaquinha. 4. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 1985.
Pão e Sangue. Rio de Janeiro: Record, 1988.
Vozes do Retrato. São Paulo: Ática, 1991.
Ah, É?. Rio de Janeiro: Record, 1994.
Dinorá: novos mistérios. Rio de Janeiro: Record, 1994.
234. Rio de Janeiro: Record, 1997.
Em Busca de Curitiba Perdida. 5. ed. rev. Rio de Janeiro: Record, 2000.
Quem Tem Medo de Vampiro?. São Paulo: Ática, 1998.
111 Ais. Porto Alegre.: L&PM, 2000.
O Grande Deflorador. Porto Alegre: L&PM, 2000.
99 Corruíras Nanicas. Porto Alegre: L&PM, 2002.
Pico na Veia. Rio de Janeiro: Record, 2002.
Continhos Galantes. Porto Alegre: L&PM, 2003.
Capitu Sou Eu. Rio de Janeiro: Record, 2003.
Arara Bêbada. Rio de Janeiro: Record, 2004.
33 Contos Escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005.
A Gorda do Tiki Bar. Porto Alegre: L&PM, 2005.
Revista Joaquim. Edição fac-similar dos volumes 01~21. Coleção Brasil Diferente. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2001.
Livros sobre Dalton Trevisan
SANCHES Neto, Miguel. Biblioteca Trevisan. Curitiba: Ed. da UFPR, 1996.
WALDMAN, Berta. Do Vampiro ao Cafajeste. São Paulo: Hucitec; Curitiba: Secretaria da Cultura e do Esporte do Governo do Estado do Paraná, 1982.
21.6.06
Seria fantástico. Não fui. De novo. Deprimente.
***
Fazia tempo que não colocava Garotos Podres pra tocar. Bom demais! "Saddam Hussein", "Batman", "Rock de Subúrbio", "Fernandinho Viadinho", "Anarquia Oi!" e a clássica "Proletários".
Excelente, ainda mais depois que ela me chamou de reacionário.
23.5.06
Clemente, dos Inocentes, fez a música na década de 80. O grupo segue aí, mandando ver no punk nervoso do ABC paulista.
PÂNICO EM SP
Inocentes
As sirenes tocaram
As rádios avisaram
Que era pra correr
As pessoas assustadas mal informadas
Puseram a fugir... sem saber porque
Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP
Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP
O jornal, a rádio, a televisão
Todos os meios de comunicação
Neles estavam estampados
O rosto de medo da população
Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP
Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP
Chamaram os bombeiros
Chamaram o exército
Chamaram a Polícia Militar
Todos armados
Até os dentes
Todos prontos para atirar
havia o que?
Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP
Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP
Mas o que eles não sabiam
Aliás o que ninguém sabia
Era o que estava acontecendo
Ou que realmente acontecia
Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP
Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP
2.5.06
Bom, o Brasil tem, segundo o IBGE, 16.379.841 crianças de 0 a 4 anos. O que dá, de acordo com os 6% da ONU, 982.790 crianças de 0 a 4 anos desnutridas. No grupo de 5 a 9 anos, são 14.734.278 brasileiros, dos quais 884.056 estão subnutridos. Dá um total de 1.866.846 crianças sofrendo com subnutrição infantil.
Sei não, mas pra mim é um número alarmante.
Transformar os problemas em porcentagem às vezes não dá a real dimensão da situação.
21.4.06
20.4.06
Olhe bem quem está lá. Veja o histórico dos futuros candidatos. Agora, me responda: Alguém ali merece voltar na próxima legislatura?
***
Diogo Mainardi, o bufão da Veja, encampou uma cruzada difamatória a alguns jornalistas do primeiro time. Alguns fizeram o usual: ignoraram o estapafúrdio articulista. Mas Franklin Martins arrebentou. Desafiou o candidato a menino-prodígio. Será que ele agüenta o tranco?
18.4.06
Chinaski só quer viver sua vida, sem ligar a mínima para nada nem ninguém. Se importa tão pouco que sua existência é quase insignificante, mas sem dó. E Fante/Bandini implora por compaixão, por dó. Quer um colo de alguém que lhe passe a mão na cabeça e diga "tadinho, não merece isso". Mas ele merece.
Mas Chinaski/Bukowski não pede colo. Nem dá colo. Só quer viver em paz, sem incomodar ninguém. E que ninguém lhe incomode, deixa o homem!
Bukowski sempre é tiro. É pico!
Está nos meus planos encarar "Pergunte ao Pó", de Fante. Vou dar mais uma chance pra ele, pra ver se Bandini se redime comigo desta vez.
Até lá, me entrego aos "Diários de Kerouac". E ele não precisa de apresentações.
6.4.06
Fim de livro que se gosta é triste. Hoje é um dia triste. Me abandonou o companheiro de mais de mês, o "Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha", Cervantes primorosamente traduzido por Sérgio Molina e em bela edição bilingüe e ilustrada da Editora 34. Mas confesso que a leitura em espanhol fica para outra ocasião.
Dom Quixote é quase um brasileiro. Um latino-americano por completo. Perdido, sonhador, irremediavelmente otimista de que no final tudo dará certo e de acordo com seus planos.
O livro não marca apenas o nascimento do romance moderno. É prova cabal de que esse nossa teimosia terceiro-mundista latino-americana, que acredita em Collors, Lulas, Fidéis, FHCs, Chávez etc., vem de longe. E vem com gosto. Vem deliciosamente bem escrita.
Dia triste, mas que logo se esvai. Veio na bagagem para Cascavel (PR), quase clandestinamente, um fortuito "Misto Quente", do sempre excelente companhia Bukowski. Divide tempo e paciência com leituras obrigatórias das três aulas que faltarei da pós. Sem problemas. Pro Bukowski, a gente sempre acha lugar.
"O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha - Primeiro Livro", de Miguel de Cervantes Saavedra. (tradução de Sérgio Molina; gravuras de Gustave Doré. São Paulo: Ed. 34, 2002)
"Misto Quente", de Charles Bukowski. (tradução de Pedro Gonzaga. Porto Alegre: L&PM, 2005)
1.4.06
Um festival muito bom, mas com aquele defeito de boa parte dos maiores - senão todos - eventos culturais do Brasil: uma enorme dependência do poder público. Nessas, o público sai ganhando com uma: é de graça.
Mas, como eu já disse por aqui, isso acaba sendo um gasto enorme de recursos. Contei 120 sessões em seis espaços diferentes, só em São Paulo. Fora as sessões do Rio, de Brasília e Campinas. Pois bem. Festivais de Cultura no Brasil são assim (eu sei, sou um assíduo freqüentador deles), sempre com o mesmo público. As mesmas pessoas em todos os mesmos festivais. Gente que bem poderia pagar R$ 5 para ver umas seis sessões. Ora, se no Festival Internacional de Cinema há aqueles que tiram mais de R$ 100 do bolso e compram os multi-ingressos, bem que neste poderia funcionar assim.
Não sou contra financiamento público das artes no Brasil. Não temos mecenas. Mas também não há necessidade de se torrar grana desse jeito. E olha que eu já participei de dois filmes feitos com recursos municipais. E em ambos conseguimos dinheiro extra com patrocinadores fora de leis de incentivo.
Está na hora de rever algumas coisas. Cultura de graça para uma classe que tem dinheiro - não estou falando de endinheirados, mas é gente que consome cinema, livros, cerveja, balada etc. - é triste. A cultura nesse país só vai para frente quando o produtor da obra virar profissional e viver disso. E pagar para ver a obra do cara é uma puta forma de reconhecimento.
Fora que o dinheiro gasto a mais poderia ir para outras áreas. Cultura para o povão, por exemplo. Faça as contas: média de 30 pagantes, com média de R$ 5 (estudantes e inteiras), em 120 sessões. Dá R$ 18 mil reais. Só em São Paulo. Tem projeto social com muito menos que isso por aí.
23.3.06
HABLANDO MALNa Argentina não poderia deixar de discutir sobre Pelé e Maradona. Lá pelas tantas, o Shaman, amigo da Mari que eu conheci por lá, me disse: "Deixa a gente, que a gente só tem ele. Vocês têm Pelé, Zico, Branco, Ronaldo, Ronaldinho, Romário, Adriano, Robinho..." e disparou a falar nome de brasileiro.
E me explicou que o povo gosta do Maradona porque ele é assim: do povo. É um cara que não estudou, só fala abobrinha e ganha grana pra fazer o que gosta (não é o Lula não, viu). Tatua Che Guevara e vive no luxo. Não sai da imprensa e briga com todo repórter. "Es un villero", diz. "Villero" é quem vem de vila, no sentido mais pejorativo do termo. E eles adoram essa dualidade de Don Diego. Pois bem.
Quem quiser dar muita risada e depois sentir raiva do dinheiro gasto com a entrada, "Amando a Maradona" (Amando a Maradona - una película sobre el amor incondicional, 2005, Argentina) vai passar no 11º É Tudo Verdade, festival de documentários que teve início hoje (23/03) e vai até dia 02/04 que vem em São Paulo e no Rio. Em Campinas e em Brasília eu não sei quando começa nem termina. Mas no site tem.
Tive o privilégio e o desprazer de pegar uma das primeiras sessões do filme no dia de seu lançamento, em Buenos Aires. O roteiro é péssimo, a fotografia é horrível, os depoimentos são fracos e a edição piorou tudo. O tema tinha tudo para dar um belo produto - a idolatria absurda que os argentinos têm pelo maior jogador que los hermanos já tiveram. Mas o filme é um lixo.
Começa com um idiota de uns 20 anos se derramendo em lágrimas e dizendo que ama o coiso mais que a seu próprio pai. Aí vêm os marmanjos tatuados, a turma com a camisa nº 10, a infância sofrida, e a inacreditável igreja maradoniana. Aqui eu me recuso a botar maiúsculas por respeito ao Pelé. Que é exatamente onde eu queria chegar.
A maior parte do documentário é ocupado com tentativas de mostrar que o dito cujo é melhor que o Rei. Imagine - quem assistiu Pelé Eterno viu os maiores jogadores do mundo, inclusive argentinos, elogiarem nosso camisa 10 - Valderrama, aquele cabeulo feio da Colômbia, dizendo que Maradona é seu ídolo. Só podia dar naquilo! Mas isso é o de menos.
Como todo argentino, o filme tenta, desesperadamente, mostrar a suposta superioridade de Dieguito. Aí aparece ele gordo, em Cuba, durante a recuperação química, perguntando: "Quem é Pelé? Esse tipo aparece com uma gravata dos EUA", referindo-se à época que Pelé jogou por lá. É, no mínimo, hilário. E o gordo refestela-se, às custas do povo cubano, no palácio castrista.
E a culpa a João Havelange pela desclassificação de Maradona da Copa 94, por dopping? Preste atenção, porque você vai rir tanto que vai perder a melhor parte do filme.
Lá está, à sua disposição, esta peça rara. Aliás, os argentinos terão sempre que se contentar com o segundo lugar. Tanto que até Pelé Enterno - que é uma porcaria, não fosse pelos gols - é melhor que o filme argentino.
É só procurar por aí que acha. Nos últimos dez anos, o Brasil cresceu menos que a média mundial (2 e poucos porcento contra três e tantos porcento, respectivamente). A renda do brasileiro, menos ainda. E ainda por cima - ou por baixo, sei lá - não bate 20% da renda do norte-americano. Tá certo que a gente não faz guerra e nem tem indústria com mão-de-obra infantil na Ásia, mas isso não é mais desculpa. Ainda mais porque Argentina, Chile e México também não fazem nem têm e estão lá, um tantão na nossa frente.
Isso sem falar em Índia e China.
Mas aí é covardia.
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IÔ-IÔ
Do jeito que as coisas estão indo, este país está voltando.
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VRUMM
O Congresso, essa piada pronta, nos tirou de zoa de novo. Dezoito envolvidos. Sete - no voto secreto, lógico - absolvidos. Quatro covardes renunciaram. E ainda houve quem dissesse que deputado inexpressivo quase não mandava no mensalão, não tinha poder algum, não era peça-chave no esquema.
Eu podia esperar de tudo. Menos que no Congresso também tivesse aviãozinho.
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MANO
Falando em aviãozinho, pela primeira vez a Globo mereceu um e-mail meu parabenizando algum programa. "Falcão - meninos do tráfico" foi, a propósito de onde passou, fantástico. Alguém aí imaginaria que a toda-poderosa ia dar 58 min no horário nobre de domingo para alguma coisa que não fosse o nascimento da Sasha? Pois é, o Fantástico me surpreendeu com essa.
Mas o meu sincero respeito e meu "muito obrigado" vão para MV Bill e Celso Athaíde (ou Athayde?). Seis anos de um trabalho no qual realmente acreditaram. Filho pronto, esperaram dois anos por um momento mais propício. Espertos que são, deixaram para o ano em que o debate vai rondar qualquer mesa de bar. E botaram na sala de jantar isso que o brasileiro tanto quer dar às costas.
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FUTILIDADES, QUE NINGUÉM É DE FERRO
All Star dura uns oito meses no meu pé. Não sei por quê, mas a sola sempre acaba. Ainda dá pra levar - em dias de chuva, nem pensar - por um ano. mais que isso, já era.
Comprei um novo, tal de All Star Converse. Do pretinho básico mesmo, com a charmosa linha vermelha. Segundo consta, dura mais. Preferiria que durasse menos. Ficou maior e mais largo, mas machuca o pé. A palmilha ganhou reforço no calcanhar - quem usa sabe -, mas faz muito barulho. E o pé deslisa.
Não aiidanta. Clássico é clássico. E em clássico não se mexe.
14.3.06
Cidade pequena é assado. Tanto tempo pras coisas, que seria bom se tivesse tanto.
Uma certa saudade de Londrina - onde o tempo alcança o banho, o inglês, o cinema, o boteco -, uma certa admiração por São Paulo - onde está a aula que procura, o filme que não passa, o bar diferente.
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A trabalho em Ponta Porã (MS), descobri que o Paraguai não é só a Ponte da Amizade. Lá o País corre ali, a um passo da avenida. Alcança até sentar no Brasil pra amarrar o tênis no Paraguai. Um tripé novo, uma camisa nova. Quer conhecer? Só não estranhe a Polícia Federal, que grita em sirene a noite toda pela cidade.
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Tem vontades que não desaparecem. Ir pra Europa sentir cheiro de antigo, ir pra Superagüi (de novo) ouvir cantar o Cara-Roxa. E outras que vêm e vão, ao sabor de Brasília. Acho que são os ecos da escola, que depois das férias me chamam aquelas sedes de tempos acadêmicos. Pô, cadê o povo? A Câmara, lugar do cidadão por excelência, vira as costas pro Brasil e guarda embaixo das asas a corrupção. Ninguém mais é cassado, ninguém mais fala nada. E o povo, cadê? Ah, quando se mexer eu quero ver. Não digam que eu não avisei.
1.2.06
16.1.06
13.1.06
11/01 - dia 16
Nosso onibus saia de Ushuaia aas 5h30. Acordamos 5h50. Pegamos um taxi e corremos atras da van. Nisso torramos 155 pesos. Adeus, presentes. Espero que compreendam. Bom, chegamos em Rio Grande e trocamos de onibus. Cruzamos pro Chile, atravessamos o canal de Magalhaes de novo, entramos outra vez na Argentina e trocamos mais uma vez de onibus em Rio Gallegos.
12/01 - dia 17
Chegamos aas 6h em Comodoro Rivadavia e aas 8h45 pegamos um leito (oba, oba, deu pra descansar). Mais 22h ate Buenos Aires.
13/01 - dia 18
6h, Buenos Aires. Lembro voces que acordamos tarde e quase perdemos o onibus em Ushuaia. Iamos tomar banho antes de sair, mas nao deu tempo. Assim que estamos sem banho desde 22h do dia 9. Agora paramos em um albergue pro banho. A Mari acabou de sair do chuveiro. Minha vez. Acabaram-se as noticias daqui. Agora sim, so do Brasil. Boa viagem pra nos. 20h30 saimos daqui de vez. Chegamos sabado em Maringa, entre 19h30 e 21h30. Ate a volta.
10.1.06
Holas, holas! Direto de Ushuaia - Terra do Fogo. Agora posso dizer que a Mari me segue até o fim do mundo. Se bem que acho que ela pensa o mesmo de mim... Bom, antes passamos pelo Chile. Fiquem com o resumo dessa viagem patagônica.
5/01 - dia 10 Saímos de El Calafate (Arg), atravessamos a Cordilheira dos Andes e paramos em Puerto Natales. Cidade e preços chilenos, de quebrar as pernas de qualquer viajante. Dormimos em uma pousada que tinha um velho que eu juro que era um fantasma. Desses que só aparecem pra mochileiros. Alugamos uma barraca, sacos de dormir e fogareiro. Dia seguinte: Parque Torres del Paine. 6, 7 e 8/01 - dias 11, 12 e 13 Torres é um parque fantástico. Pra ver tudo que tem, precisa de uns 15 dias com caminhadas através de montanhas e vales de no mínimo 10h/dia. Com barraca no lombo. Nós fizemos uma baita caminhada no primeiro dia (9h30), até a base das torres que dao nome ao parque. Como o Perito Moreno, indescritível. O filme O Senhor dos Anéis poderia muito bem ter sido feito ali. Coisa de louco. No segundo dia estávamos quebrados. Depois de dois dias em Chaltén, um baita trekking em Torres (com direito a subida de montanha) e uma noite fria em barraca, nao aguentamos uma nova empreitada. Ficamos na beira de um lago de um verde lindíssimo, curtindo a vista das montanhas nevadas e tirando fotos. Maravilha. Dormimos mais uma noite na barraca. No dia dia seguinte voltamos pra Puerto Natales e pegamos o bumba pra Punta Arenas às 20h. 23h chegamos e fomos pra outra pensao com preços nada amigáveis. Dia 9/01 - dia 14 Às 9h tomamos rumo pra Ushuaia - Terra do Fogo. Parada em Río Grande pra trocar o ônibus por uma van e chegada só às 22h. De volta pra ARgentina. Fim do mundo, e preços que sao o fim do mundo! Cidadezinha cara, sô. Também, tudo pra chegar aqui por terra precisa entrar no Chile e atravessar o canal de Magalhaes por ferry-boat (ou buque-bus, como chamam por aqui). Estamos no que nos sobrou: quarto/banheiro/cozinha por AR$ 120,00. Uns 100 reais/dia. Tudo bem, mandamos ver um macarrao e economizamos na janta. Aqui é uma gracinha, como diria a Mari. Um frio de rachar. A estrada passa por umas montanhas com temperatura de 3 graus. À tarde, chega fácil aos 10 graus. Dia 10/01 - dia 15 Museu do Fim do Mundo e passeio pelo Canal de Beagle, usado para passar do Pacífico para o Atlântico e vice-versa. Vimos lobos marinhos, muitas aves e os famosos - sim, nós vimos, centenas deles - pingüins. Esses bichinhos estranhos parecem desenho animado. Legal passar por aqui. A Terra do Fogo é uma ilha com muita coisa pra ver. Tem bastante lugar pra acampar, lagos, florestas, trilhas, pousadas na mata etc. Regiao pra passar fácil uns 10 dias. Fica pra daqui uns anos. Amanha cedinho voltamos embora. Chegamos depois de amanha (sexta-feira dia 12) em Buenos Aires, depois de 48h de viagem. À noite, ônibus de volta ao Brasil. Com 20 rolos de filme, umas 700 fotos digitais e muita história. Escrever de novo, só do Brasil. Aí vocês ficam com nossos recuerdos patagónicos. |
4.1.06
31/12 – dia 5 Continuaçao
A virada de ano foi muito boa. Passamos na casa do Shaman e nao agüentamos balada.
01/01 – dia 6
Nada como começar o ano novo com uma passeada pela praia de pedras. Às 21h pegamos o ônibus. 14h depois, chegamos em El Calafate.
02/01 – dia 7
Calafate é a cidade mais próxima do famoso Glaciar Perito Moreno. Demos sorte e conseguimos um ônibus até lá uma hora depois de chegarmos à cidade. Às 15h saímos rumo a um lugar extraordinariamente espetacular. Qualquer coisa menos que isso é pouco para descrever 257 km quadrados de gelo, terminando em um paredao de 50m de altura e 5 km de extensao. 22h, ainda claro, voltamos à cidade. Sorte de novo: pegamos um quarto com banheiro pelo preço de um sem.
03/01 – dia 8
7h30 rumamos para El Chaltén, capital nacional do trekking na Argentina. Três da tarde nos metemos em uma trilha direto para um outro Glaciar. Aproveitando que o sol aqui se vai muito tarde, voltamos só dez da noite. Lugar incrível, cheio de trilhas, mochileiros, animais selvagens, campings rupestres e tudo mais que você desejar. Menos banheiro e alguém vendendo Antarctica. Tudo bem, a água é de rio, córrego, lago ou degelo, mas é de graça.
Dormimos em um albergue e pela primeira vez dividimos um quarto com três beliches. Confesso que nao é lá muito agradável.
04/01 – dia 9
Ainda em Chaltén, fizemos mais uma trilha, com uma excelente vista do Cerro Fitz Roy e outras montanhas nevadas. Chegamos até um lago muito bonito. De volta ao Brasil, logo logo as fotos estarao por aqui. Aguardem.
Daqui a meia hora voltamos para Calafate. Amanha de manha rumamos para o Chile e o parque Torres del Paine. Depois para Ushuaia, e dia 13 pegamos o ônibus pro Brasil. Todas as passagens compradas e a grana de acordo com os planos. Até agora, tudo certo. Novas notícias, provavelmente só do Chile.











