Chuto o pau da barraca e tomara que esteja errado, mas temo que não. Por favor, alguém aí me acenda esperança, a minha já se esvai e anda difícil segurá-la pelo rabo.
Lula e o PT subiram a rampa para romper, mas corromperam-se. Não que o homem de barba botou a mão na grana, o que pessoalmente (talvez ingenuamente) duvido, porém praticou-se de tudo pelo poder, e por aí não faltam exemplos.
Aí vem Dilma e a claque ou o absolvido Palocci e a mesma claque, para ficar tudo como está, o que não dá. Ou Serra e a claque tucana, para ficar de novo daquele jeito que não dava, o que também não dá. Apesar das não-feitas, Lula me sabe melhor governo que titio FHC, que na crise subiu juros (ninguém se lembra de Selic a 40%, né?), o que diminuiu consumo, o que diminuiu emprego, o que diminuiu consumo, o que diminuiu emprego, o que diminuiu consumo, o que diminuiu emprego, e o resto da ciranda é o vice-versa. Porém, apesar das feitas, seguiu a cartilha do compadrismo, do apadrinhado, do conchavo, dos cargos, da grana (ninguém se lembra do escabroso golpe que foi a reeleição, né? Mudar Constituição para beneficiar a legislatura em vigor é proibido, mas os tucanos fizeram. Engraçado que Morales, Correa, Chávez e toda essa cambada rezaram na mesma cartilha, mas quando é lá nas repúblicas de banana, é golpe. E aqui, foi o quê?).
Ou vem Marina da Floresta, encabeçando um partido que lá fora é um primor de tradição, mas que aqui é um balaio sem identidade, inclusive com políticos longe de terem preocupação ambiental. Política séria, honesta, que fará falta no Senado, mas para subir a rampa, levando para o ainda em reformas Palácio do Planalto um partideco desses...
Voltando a Serra, sugiro que seus apoiadores dêem uma olhada nos fabulosos índices de educação de São Paulo. E aí, hein? Que tal o Estado mais rico do país com aqueles numerosinhos sacanas, hein? Vem para cá estudar em colégio estadual, vem.
O Brasil é igual caranguejo, até olha para frente, mas vai de ré. E aí vem um discurso pronto e porco dos Jardins, de Higienópolis, da Barra, de Ipanema, do Batel, que brasileiro não sabe votar. Não dizem “pobre não sabe votar” porque esse mundinho ficou careta demais, politicamente correto (aliás, um preciosismo antagônico, não?) demais, chato demais. E que culpa tem o pobre dos candidatos escolhidos pelos partidos? E que culpa tem o pobre se não é ele que financia o partido, a campanha, o candidato, o status quo? Hein? Hein? Ou você é daqueles que têm certeza que o PT entrou lá só com a contribuição magra do povão? Faça-se um favor, meta a fuça por aí, informe-se. Oras!
Te conto uma história, já que estou de bode dessa elitezinha tacanha que vive mordiscando por aí, que assiste Cirque du Soleil, mostras de cinema, vai ao teatro, curte Caetano e anda na Paulista. É tudo com grana do povo, oras! Diz aí, é mais importante criar rede de esgoto na puta que o pariu, que a gente não conhece (afinal, o que a gente vai fazer lá, onde não tem shopping, cinema, metrô, escola, hospital, segurança, praça, iluminação etc.) ou dar R$ 2 milhões para o circo mais famoso do mundo? Usar a grana da Petrobras para criar um dos maiores e mais importantes festivais de curta-metragem do mundo, GRATUITO, onde só quem tem dinheiro vai (afinal, você já viu pobre freqüentar o Espaço Unibanco de Cinema? Eu não), ou reformar aquela escola? E quem é que vai assistir o show experimental e caro do Caetano, patrocinado pela Lei Rouanet (e com ingresso cobrado, mesmo assim)? Disse bem Tom Zé, “Caetanoooo, vai tomar no cu!” E eu completo: vai fazer show de graça em Heliópolis, seu sacana, que essa grana toda não é sua! Surro Caetano que é fácil bater no óbvio, mas o recado é para todo mundo. Ouviu, Salles? Você sabia que diretor e produtor recebem para fazer filme, não? E que essa grana vem de lei de incentivo, não? E que, depois, eles recebem pela exibição do filme, já que você paga ingresso, não? E que essa grana não volta para pagar o Estado pelo dinheiro usado na produção do filme, não? Ah, bom, só perguntei por perguntar.
Continuo febril, chato, reclamão. É que sonega imposto quem tem dinheiro para sonegar. E pobre é quem mais paga imposto no Brasil, veja só! Duvida? Procure aí, estudo recente prova isso, você vai encontrar. Ou o feijão que você come é diferente, hein? Pois é, e quem tem asfalto, esgoto, segurança, Caetano, Cirque e Salles, hein? Aí rico vai ao aeroporto, construído com dinheiro público, e come bem, e usa banheiro limpo, e vai à loja cara. E o pobre vai à rodoviária suja, fedida, insegura, feia. Queima a lâmpada nos Jardins, troca-se na hora. Ops, estourou adutora no Capão Rodondo... e daí? Quem liga?
O Estado está aí para rico. Não me admira que haja tanta grana correndo em campanha eleitoral.
Não reclamo porque há acesso a isso; reclamo porque nem todos o tem.
27.8.09
15.4.09
Absurde-se!
Cometa um ato insano que vai lhe fazer um bem danado aos miolos, leia Campos de Carvalho.
Começa assim "A lua vem da Ásia", essa irresponsabilidade, essa demência, essa maluquisse (deliciosa maluquisse); cometa a insanidade de ler esse absurdo, por favor!
"Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa - e qual defesa seria mais legítima? -, logrei ser absolvido por 5 votos contra 2, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris.
Deixei crescer a barba em pensamento, comprei um par de óculos para míope, e passava as noites espiando o céu estrelado, um cigarro entre os dedos. Chamava-me então Adilson, msa logo mudei para Heitor, depois Ruy Barbo, depois finalmente Astrogildo, que é como me chamo ainda hoje, quando me chamo."
Para, páginas depois e logo no capítulo "(Sem capítulo)" - assim mesmo, entre parênteses -, a gente encontrar, sobre um enterro em um hotel - sim, em um hotel!:
"Não houve biscoitos, como é de praxe, nem sequer uma xícara de café fumegante e aromático, como nos bons tempos em que havia um morto dentro da nossa casa ou emc asa dos vizinhos mais afortunados. Em verdade tudo se limitou a um espetáculo muito banal e em parte ridículo, do qual me aborreci logo e tratei de esquecer-me assim que me vi no corredor, ao lado de um dos criados que gentilmente se prontificou a acompanhar-me."
É de uma anormalidade incomparável, e isso nos anos de 1956. Cinquenta e seis!, quando o Brasil nem título mundial tinha ainda!
E vocês aí, procurando ver o mundo nas letras de uns francesinhos afrescalhados ou de uns americanos tentando fugir do tal way of life...
Cometa um ato insano que vai lhe fazer um bem danado aos miolos, leia Campos de Carvalho.
Começa assim "A lua vem da Ásia", essa irresponsabilidade, essa demência, essa maluquisse (deliciosa maluquisse); cometa a insanidade de ler esse absurdo, por favor!
"Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa - e qual defesa seria mais legítima? -, logrei ser absolvido por 5 votos contra 2, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris.
Deixei crescer a barba em pensamento, comprei um par de óculos para míope, e passava as noites espiando o céu estrelado, um cigarro entre os dedos. Chamava-me então Adilson, msa logo mudei para Heitor, depois Ruy Barbo, depois finalmente Astrogildo, que é como me chamo ainda hoje, quando me chamo."
Para, páginas depois e logo no capítulo "(Sem capítulo)" - assim mesmo, entre parênteses -, a gente encontrar, sobre um enterro em um hotel - sim, em um hotel!:
"Não houve biscoitos, como é de praxe, nem sequer uma xícara de café fumegante e aromático, como nos bons tempos em que havia um morto dentro da nossa casa ou emc asa dos vizinhos mais afortunados. Em verdade tudo se limitou a um espetáculo muito banal e em parte ridículo, do qual me aborreci logo e tratei de esquecer-me assim que me vi no corredor, ao lado de um dos criados que gentilmente se prontificou a acompanhar-me."
É de uma anormalidade incomparável, e isso nos anos de 1956. Cinquenta e seis!, quando o Brasil nem título mundial tinha ainda!
E vocês aí, procurando ver o mundo nas letras de uns francesinhos afrescalhados ou de uns americanos tentando fugir do tal way of life...
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