Muito bem, muito bem, cá estamos nosotros de regreso a la computadora. Direto de Comodoro Rivadavia, onde mora o Shaman, amigo da Mari. Mas primeiro as últimas notícias de Buenos Aires.
29/12 - dia 4 (continuacao)
Chegamos à Plaza de Mayo e topamos com as Madres e seus protestos. Contra Bush, a dívida externa, juízes da época da ditadura e tudo mais. Como a Argentina também já pagou o FMI e nao dá mais para expulsar o Fundo, a hora é de fazer barulho pela distribuicao de renda. Elas sao muito organizadas, o trabalho é muito bem feito. Coisa de louco. Louco mesmo, aliás, eram os brasileiros que comecaram a gritar "Brasil, Cuba, Argentinañ juntos defendendo a América Latina!". Lembrei de meus tempos de movimento estudantil.
Falando em brasileiro, nao aguento mais tanto corinthiano. É um tal de "ôrra, meu" pra todo lado que já encheu o saco.
Pegamos o ônibus pra Comodoro às 21h.
30/12 - dia 5
Acordei 6h com uma criança berrando. Normal. Fora do ônibus a estrada continuava a mesma desde quando saímos de Foz. Uma reta só, sem curvas nem montanhas. Um platô só. Com a diferença que o pasto deu lugar a um enorme deserto com vegetaçao rasteira. Fazendas enormes, com pouquíssimos animais (estamos na seca por aqui) e quase nenhum ser humano. Sem cidades, sem ranchos, sem postos de combustível. Pega um mapa e vai descendo. Dá para contar em duas maos quantas cidades estao entre Buenos Aires e Comodoro. Em 24h de viagem.
Chegamos às 21h, debaixo de um sol incrível. Sim, meus amigos, às 22h30 ainda havia um restoio de luz, suficiente para conseguir ler alguma coisa sem luz natural.
A casa do Shaman fica na beira de uma praia de pedras. Sua família (papai, mamae, irmao, avó, namorada, dois boxers e um dobermann) é muito gente boa. Dá até vontade de ficar mais por aqui.
Ele nos levou a uma suposta festa rave. Às 4h já dava pra saber em que lado o sol nasceria. Incrível como aqui tem muito mais sol que no Brasil. Mas o frio é coisa de louco. Às 21h30 a gente estava de camiseta. Foi só o sol se esconder e chegar o vento de dobrar árvore (árvores enormes crescem tortas por causa do vento) que uma blusa de la e um casaco nao foram suficientes.
31/12 - dia 6
6h30 fomos dormir. Já fazia calor de novo. Troço doido.
Cinco anos atrás Comodoro tinha pouco mais de cem mil pessoas. Por causa do petróleo (aqui se produz 1/3 do petróleo argentino) e da promessa de cidade mais próspera (e cara) daqui, hoje tem o dobro de gente. E deserto, e praias frias (molhamos o pé na Patagônia! Missao cumprida), e vento.
Amanha saímos às 21h pra El Calafate. Chegamos dia 2, às 12h.
Feliz Ano Novo pra todo mundo. Com muitas viagens, que isso é bom pra caramba.
31.12.05
29.12.05
Puta merda. Tinha escrito um montao sobre esta viagem e de repente o computador apagou. Agora vocês ficam com o que minha paciência guardou. Pior ainda porque o teclado daqui nao tem o acento til.
Pois bem, senhoras e senhores, leitores anônimos deste blog. Depois de socorrer um motoqueiro na estrada, enfrentar duas noites de viagem e ficar 48h sem banho, a Mari e eu chegamos em Buenos Aires (BA). Saímios de Foz dia 26/12 (dia 1) e descemos em BA dia 27/12 às 8h. Daí ao albergue foi um pulo. Estamos no Tango Beckpackers, no bairro de Palermo. De acordo com a Mari é o quarto mais sujo - e sem banheiro - que já ficamos.
Dia 27/12 - dia 2
La Recoleta e suas praças, Museo de Bellas Artes e seus Rodins, van Goghs, Picassos e Degas, a Biblioteca Nacional e sua vista da zona portuária.
Descobrimos que argentino(a) adora se exibir. Digo, se exibir aqui também. É só bater um calorzinho que o povo vai tomar sol nas praças. Que estao cheias de gatos de rua e cachorros na coleira (e suas respectivas mierdas. Nao, aqui nao é tao parecido com a Europa assim).
Argentino de BA que se preze é educado e gentil. Agradece, dá informaçao e se preocupa. Mas se resolve ser grosseiro... Mesmo assim, a impressao quer tivemos do povo daqui é muito melhor do que esperávamos.
dia 28/12 - dia 3
Com muita sorte conseguimos vaga para a visita guiada ao Teatro Colón. Belíssimo, acústica perfeita, 3000 lugares, quase 98 anos de idade. Recebe óperas, concertos e balés. Cenários e figurinos sao feitos lá mesmo.
À tarde fomos a La Boca. Zona pobre do primeiro porto do rio Plata, reformada para receber artistas e atrair o turismo para a regiao. Nuevas amistades com um casal mexicano e um artista de 81 anos. Até ganhamos um quadro, veja só! Só a conversa com Pedro Gulkis já valeu a viagem. O velhinho se despediu com lágrimas nos olhos e dois amigos encantados.
Nossa busca por um restaurante com tango para a janta nos rendeu pés doloridos, cansaço e três minutos de show. Fica pra volta, se der tempo.
Dia 29/12 - dia 4
O dia começou em um metrô dos tempos dos primeiros vagoes, todo em madeira. Muito legal. História, cultura e turismo se misturam muito bem com o dia-a-dia porteño. Fomos ao Congresso, onde logo ali descobrimos sem querer, em uma virada de pescoço, a sede das Madres de la Plaza de Mayo. Alguém precisam tomar uma providência. Estou avisando, senao elas fazem a revoluçao. Lá há uma livraria recheada de nomes como Che, Marx, Lênin, Mao e qualquer outro "do contra". Também tem um monte de revistas, jornais e informes de partidos comunistas, socialistas, operários, grupos piqueteros, anarquistas e qualquer outro que queime uma bandeira americana.
Agora (15h) vamos ver a Casa Rosada e arredores. Às 21h pegamos o ônibus para Comodoro Rivadavia. Mais 26h de viagem. Ficamos lá até dia 01/01.
Desculpem o atraso. Logo terao mais notícias. Se der, boto umas fotos por aqui.
Pois bem, senhoras e senhores, leitores anônimos deste blog. Depois de socorrer um motoqueiro na estrada, enfrentar duas noites de viagem e ficar 48h sem banho, a Mari e eu chegamos em Buenos Aires (BA). Saímios de Foz dia 26/12 (dia 1) e descemos em BA dia 27/12 às 8h. Daí ao albergue foi um pulo. Estamos no Tango Beckpackers, no bairro de Palermo. De acordo com a Mari é o quarto mais sujo - e sem banheiro - que já ficamos.
Dia 27/12 - dia 2
La Recoleta e suas praças, Museo de Bellas Artes e seus Rodins, van Goghs, Picassos e Degas, a Biblioteca Nacional e sua vista da zona portuária.
Descobrimos que argentino(a) adora se exibir. Digo, se exibir aqui também. É só bater um calorzinho que o povo vai tomar sol nas praças. Que estao cheias de gatos de rua e cachorros na coleira (e suas respectivas mierdas. Nao, aqui nao é tao parecido com a Europa assim).
Argentino de BA que se preze é educado e gentil. Agradece, dá informaçao e se preocupa. Mas se resolve ser grosseiro... Mesmo assim, a impressao quer tivemos do povo daqui é muito melhor do que esperávamos.
dia 28/12 - dia 3
Com muita sorte conseguimos vaga para a visita guiada ao Teatro Colón. Belíssimo, acústica perfeita, 3000 lugares, quase 98 anos de idade. Recebe óperas, concertos e balés. Cenários e figurinos sao feitos lá mesmo.
À tarde fomos a La Boca. Zona pobre do primeiro porto do rio Plata, reformada para receber artistas e atrair o turismo para a regiao. Nuevas amistades com um casal mexicano e um artista de 81 anos. Até ganhamos um quadro, veja só! Só a conversa com Pedro Gulkis já valeu a viagem. O velhinho se despediu com lágrimas nos olhos e dois amigos encantados.
Nossa busca por um restaurante com tango para a janta nos rendeu pés doloridos, cansaço e três minutos de show. Fica pra volta, se der tempo.
Dia 29/12 - dia 4
O dia começou em um metrô dos tempos dos primeiros vagoes, todo em madeira. Muito legal. História, cultura e turismo se misturam muito bem com o dia-a-dia porteño. Fomos ao Congresso, onde logo ali descobrimos sem querer, em uma virada de pescoço, a sede das Madres de la Plaza de Mayo. Alguém precisam tomar uma providência. Estou avisando, senao elas fazem a revoluçao. Lá há uma livraria recheada de nomes como Che, Marx, Lênin, Mao e qualquer outro "do contra". Também tem um monte de revistas, jornais e informes de partidos comunistas, socialistas, operários, grupos piqueteros, anarquistas e qualquer outro que queime uma bandeira americana.
Agora (15h) vamos ver a Casa Rosada e arredores. Às 21h pegamos o ônibus para Comodoro Rivadavia. Mais 26h de viagem. Ficamos lá até dia 01/01.
Desculpem o atraso. Logo terao mais notícias. Se der, boto umas fotos por aqui.
21.12.05
As passagens estão compradas. De ida e volta. Sim, vamos para a Argentina. Dia 26/12, ao meio-dia, boto o pé no ônibus lá em Foz. Se tudo seguir nos conformes vai ser Buenos Aires, Comodoro Rivadavia, El Calafate/Los Glaciares, El Chaltén/Los Glaciares, Puerto Natales/Torres del Paine (Chile), Punta Arenas (Chile), Ushuaia, Rio Gallegos, Península Valdéz e Buenos Aires de novo. Com direito a mudanças. Brasil de novo, só dia 14/01.
Se eu achar internet, tempo e vontade, faço aqui um diário da viagem. É só me visitar.
Se eu achar internet, tempo e vontade, faço aqui um diário da viagem. É só me visitar.
1.12.05
Mais um tempão longe daqui. Para me desculpar, fiquem com este trecho do conto "Gente con Walkman", do argentino Rodrigo Fresán. Tradução livre.
"Alejo deixa o telefone e se afunda na água da banheira. Abre os olhos debaixo d'água e segura a respiração o máximo que consegue. O mundo deveria ser assim, pensa, azul e leve e com a possibilidade de tirar a tampa e esvaziá-lo para voltar a enchê-lo com o que quiser."
Cassaram o Roberto Jefferson por não ter provas do Mensalão. E depois cassaram o Dirceu por comandar o Mensalão. Tem mutreta nessa história.
Os dois - e três, e quatro, e dez, e quantos forem necessários - merecem, mas não da forma como foi conduzida essa investigação. Que há Mensalão todo mundo sabe. Mas até agora só me provaram que o Congresso não anda lá essas coisas. Aliás, acho que nunca andou.
"Alejo deixa o telefone e se afunda na água da banheira. Abre os olhos debaixo d'água e segura a respiração o máximo que consegue. O mundo deveria ser assim, pensa, azul e leve e com a possibilidade de tirar a tampa e esvaziá-lo para voltar a enchê-lo com o que quiser."
Cassaram o Roberto Jefferson por não ter provas do Mensalão. E depois cassaram o Dirceu por comandar o Mensalão. Tem mutreta nessa história.
Os dois - e três, e quatro, e dez, e quantos forem necessários - merecem, mas não da forma como foi conduzida essa investigação. Que há Mensalão todo mundo sabe. Mas até agora só me provaram que o Congresso não anda lá essas coisas. Aliás, acho que nunca andou.
24.10.05
Se isso aqui tem leitores, eles já deviam achar que eu havia desistido de escrever. Pois bem, cara-pálidas, voltei.
***
Feriado prolongado em Paraty. Agora eu sei porque o Amyr Klink navega, navega, navega e sempre volta pra lá. A cidade disputa com Florianópolis, pau a pau, minha aposentadoria. Paraty, entre dois sonhos: praia e montanha. Ali a cachoeira escorre deliciosa enquanto o mar acaricia areias de uma porrada de ilhas (dizem que uma para cada dia do ano). Isso sem contar as praias que se escondem depois de uma trilha, atrás do morro, depois da pedra etc.
O problema é o preço. Turismo pra gringo (quase todo mundo por lá) é assim; pra inglês ver, pra inglês pagar. Cuidado com a pizza: o preço é pra três, mas só dá para um.
Mas eu volto.
Foi tão bom que meu celular resolveu ficar por lá. Perdi o aparelho, mas o cara do 0800 jurou que o número eu recupero. Basta apresentar o B.O., que lá não deu pra fazer. Burocracia em cidade turística é pra matar qualquer passeio.
***
É, o "Não" ganhou. Aperta o 1 pra dizer não, o dois pra dizer sim. Eu apertei o três - justifica, confirma, pililililim - e fui pro Strokes. Que, aliás, foi fantástico.
O povo disse "Não" pro Lula. Só assim mesmo. Se a pergunta fosse outra - Você é a favor ou contra o governo Lula? - não ia dar sim nem não. Alguém aí apertaria "Confirma"?
***
O Comunique-se queria saber meu voto. Tinha espaço para deixar recado. Disse:
"Realizações de referendos são importantes para envolver a discussão pública e a sociedade no processo democrático, aproximar o cidadão do poder e fazer ouvir o eleitor.
No entanto, o modo às pressas como este referendo foi construído acabou por alijar a sociedade da discussão e abafar a crise que envolve o governo.
Um excelente mecanismo de consulta popular foi transformado em uma manobra vil para afastar os holofotes da corrupção nacional."
Desde que voltei aos bancos acadêmicos uns respingos de Centro Acadêmico escorrem vez ou outra. Ô discursinho fácil...
***
Feriado prolongado em Paraty. Agora eu sei porque o Amyr Klink navega, navega, navega e sempre volta pra lá. A cidade disputa com Florianópolis, pau a pau, minha aposentadoria. Paraty, entre dois sonhos: praia e montanha. Ali a cachoeira escorre deliciosa enquanto o mar acaricia areias de uma porrada de ilhas (dizem que uma para cada dia do ano). Isso sem contar as praias que se escondem depois de uma trilha, atrás do morro, depois da pedra etc.
O problema é o preço. Turismo pra gringo (quase todo mundo por lá) é assim; pra inglês ver, pra inglês pagar. Cuidado com a pizza: o preço é pra três, mas só dá para um.
Mas eu volto.
Foi tão bom que meu celular resolveu ficar por lá. Perdi o aparelho, mas o cara do 0800 jurou que o número eu recupero. Basta apresentar o B.O., que lá não deu pra fazer. Burocracia em cidade turística é pra matar qualquer passeio.
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É, o "Não" ganhou. Aperta o 1 pra dizer não, o dois pra dizer sim. Eu apertei o três - justifica, confirma, pililililim - e fui pro Strokes. Que, aliás, foi fantástico.
O povo disse "Não" pro Lula. Só assim mesmo. Se a pergunta fosse outra - Você é a favor ou contra o governo Lula? - não ia dar sim nem não. Alguém aí apertaria "Confirma"?
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O Comunique-se queria saber meu voto. Tinha espaço para deixar recado. Disse:
"Realizações de referendos são importantes para envolver a discussão pública e a sociedade no processo democrático, aproximar o cidadão do poder e fazer ouvir o eleitor.
No entanto, o modo às pressas como este referendo foi construído acabou por alijar a sociedade da discussão e abafar a crise que envolve o governo.
Um excelente mecanismo de consulta popular foi transformado em uma manobra vil para afastar os holofotes da corrupção nacional."
Desde que voltei aos bancos acadêmicos uns respingos de Centro Acadêmico escorrem vez ou outra. Ô discursinho fácil...
30.9.05
29.9.05
O melhor do Orkut é recusar amigo.
Minto; melhor mesmo é fazer a limpa. Excluir uns aí que você nunca sabe por que adicionou. Só hoje botei 15 pra correr.
***
Aldo Rebelo, hein, quem diria? Apostava tudo que ia dar oposição. Até torci pra isso. Mas ganhou o velho comuna. Já foi até ministro. Aliás, alguém lembra de qual pasta? Ou se ele fez alguma coisa importante?
Esse governo que está aí continua querendo tapar o sol com a peneira. E a oposição, sem saber que rumo seguir.
Ê, Brasil que não toma jeito.
Minto; melhor mesmo é fazer a limpa. Excluir uns aí que você nunca sabe por que adicionou. Só hoje botei 15 pra correr.
***
Aldo Rebelo, hein, quem diria? Apostava tudo que ia dar oposição. Até torci pra isso. Mas ganhou o velho comuna. Já foi até ministro. Aliás, alguém lembra de qual pasta? Ou se ele fez alguma coisa importante?
Esse governo que está aí continua querendo tapar o sol com a peneira. E a oposição, sem saber que rumo seguir.
Ê, Brasil que não toma jeito.
22.9.05
16.9.05
Este autor é a favor do desarmamento. Este autor sempre foi. Este autor acha importante e democrático este referendo.
Mas este autor não tem grana e vota a mais de 500 km de onde trabalha. Isso porque acha que mudar o título pra Sampa significa mudar pra cá de vez, e isso não está em seus planos.
Ir pra Londrina custaria uns R$ 150 (passagem + balada. R$ 120, só passagem).
Este autor, sem grana, curte muito um bom rock. E tem show do Strokes em Sampa, no dia do referendo. A (preço de estudante, que este autor agora voltou aos bancos da escola) R$ 50. Mais barato. Este autor acha esta oportunidade única e desencanou de votar.
Mas vai lá. Vota contra a venda de armas e tenha orgulho. Eu engulo o meu, deixo a ideologia em casa e vou me divertir.
Mas este autor não tem grana e vota a mais de 500 km de onde trabalha. Isso porque acha que mudar o título pra Sampa significa mudar pra cá de vez, e isso não está em seus planos.
Ir pra Londrina custaria uns R$ 150 (passagem + balada. R$ 120, só passagem).
Este autor, sem grana, curte muito um bom rock. E tem show do Strokes em Sampa, no dia do referendo. A (preço de estudante, que este autor agora voltou aos bancos da escola) R$ 50. Mais barato. Este autor acha esta oportunidade única e desencanou de votar.
Mas vai lá. Vota contra a venda de armas e tenha orgulho. Eu engulo o meu, deixo a ideologia em casa e vou me divertir.
15.9.05
DE SAUDADES, DE DESEJOS, DE CARINHOS
Engraçado que um beijo torto vem e tum, tudo muda. Queda que não dói, que sorri. Beijo torto desses que a gente se perde e nunca volta.
E deveria?
Beijo torto, de deixar andando sem rumo e na mesma direção (que é dela), meio que dançando sozinho, meio que já vem o par.
Dança comigo? Claro que sim.
Beijo torto, que não endireita. Não aprende nem ensina o danado, que é só provocação. Desses assim, sem nada de tonto, serelepe, que corre esconder-se só para ser achado.
Que depois se guarda, torto assim, que é para não endireitar.
E continua torto, sem perder gosto nem cor, brincalhão e com vontade de mais.
Sem geometria, que régua não sabe gostar.
Engraçado que um beijo torto vem e tum, tudo muda. Queda que não dói, que sorri. Beijo torto desses que a gente se perde e nunca volta.
E deveria?
Beijo torto, de deixar andando sem rumo e na mesma direção (que é dela), meio que dançando sozinho, meio que já vem o par.
Dança comigo? Claro que sim.
Beijo torto, que não endireita. Não aprende nem ensina o danado, que é só provocação. Desses assim, sem nada de tonto, serelepe, que corre esconder-se só para ser achado.
Que depois se guarda, torto assim, que é para não endireitar.
E continua torto, sem perder gosto nem cor, brincalhão e com vontade de mais.
Sem geometria, que régua não sabe gostar.
13.9.05
Podem servir feijão com muito caldo, arroz queimado, até o tomate pode estar passado. Mas nunca, em hipótese alguma, admito café - ainda mais expresso - fraco, desses com pó reutilizado ou com muita água.
Ah, isso não! Não para um brasileiro, oras! Perderam um cliente. E tenho certeza que não sou o único.
***
E essa do Tralli, fantasiado de PF? Jornalismo global é assim. Circo armado, podem soltar - ou prender - os palhaços.
***
E o Severino, hein? Não mexe com o homem, que o cabra sai de pexeira na mão.
É isso que dá a falta de experiênci: Uns não sabem o que fazer com o poder; outros, com a oposição. PT & quadrilha botaram o mensalão. PSDB & pilantragem, o Severino. Agora, têm que tirar o velho.
Já que era para ir contra, custava botar um cara sério (quem?) no trono da Câmara? Ô irresponsabilidade...
***
Mas essa do deputado levar para a CPI o milico que prendeu o Genoíno durante a ditadura, bem no dia que ele prestaria depoimento, marcou a semana.
Vá lá, Genoíno - e toda a cambada , do PFL ao PC do B - tem mais é que ser investigado. Essa palhaçada, no entanto, não serve para nada. Quer dizer, só para mostrar que tem muita gente querendo subir no picadeiro.
Quer saber? Esse tipo de comportamento deveria ser encarado como quebra de decoro parlamentar. Ou alguém aí votou só para ver um joguinho besta de "você isso, você aquilo"?
Valham meu voto, caramba!
Ah, isso não! Não para um brasileiro, oras! Perderam um cliente. E tenho certeza que não sou o único.
***
E essa do Tralli, fantasiado de PF? Jornalismo global é assim. Circo armado, podem soltar - ou prender - os palhaços.
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E o Severino, hein? Não mexe com o homem, que o cabra sai de pexeira na mão.
É isso que dá a falta de experiênci: Uns não sabem o que fazer com o poder; outros, com a oposição. PT & quadrilha botaram o mensalão. PSDB & pilantragem, o Severino. Agora, têm que tirar o velho.
Já que era para ir contra, custava botar um cara sério (quem?) no trono da Câmara? Ô irresponsabilidade...
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Mas essa do deputado levar para a CPI o milico que prendeu o Genoíno durante a ditadura, bem no dia que ele prestaria depoimento, marcou a semana.
Vá lá, Genoíno - e toda a cambada , do PFL ao PC do B - tem mais é que ser investigado. Essa palhaçada, no entanto, não serve para nada. Quer dizer, só para mostrar que tem muita gente querendo subir no picadeiro.
Quer saber? Esse tipo de comportamento deveria ser encarado como quebra de decoro parlamentar. Ou alguém aí votou só para ver um joguinho besta de "você isso, você aquilo"?
Valham meu voto, caramba!
18.8.05
DOS MENINOS DE SÃO PAULO
Os meninos de rua de São Paulo são assim, meio que sem, meio querendo ter. Uma cara perdida que até assusta. Pululam praças, marquises e etceteras. Têm esse ar de quem não sabe mas engana, insolente.
Assustam, enfadam e entristessem.
Não por terem perdido a capacidade de sorrir; qualquer moeda no chão, comida no bar, velhinha assustada e perna de fora enchem a boca de riso.
Não por terem perdido o medo, que de polícia todo mundo corre.
Não por terem perdido o sonho, que eles dormem.
Assustam, isso sim, por terem perdido a capacidade de chorar.
Os meninos de rua de São Paulo são assim, meio que sem, meio querendo ter. Uma cara perdida que até assusta. Pululam praças, marquises e etceteras. Têm esse ar de quem não sabe mas engana, insolente.
Assustam, enfadam e entristessem.
Não por terem perdido a capacidade de sorrir; qualquer moeda no chão, comida no bar, velhinha assustada e perna de fora enchem a boca de riso.
Não por terem perdido o medo, que de polícia todo mundo corre.
Não por terem perdido o sonho, que eles dormem.
Assustam, isso sim, por terem perdido a capacidade de chorar.
Dizem que quem chega na Cidade Grande - e Cinza logo vira da gema.
Ontem dormi no ônibus, com direito a boca aberta e tudo mais. Depois um cara caiu no chão perto de mim e ficou lá, esticadão, com uma cara meio de bêbado, meio de dor. Talvez os dois. Tinha um monte de gente por ali. Fui embora. Ele ficou. Ele e o monte de olhos nele.
Logo bateu culpa. E vergonha da mulher me olhando quando acordei no ponto final. Ufa! Tem um pouco de Paraná aqui ainda.
***
A especialização vai bem, obrigado. No segundo dia já parti pro bate boca: "Deixa ela falar, meu! Só você que pode falar por aqui?" Depois eu e o cara que não deixava ninguém falar trocamos uma idéia pra ficar tudo de boa. Lógico que na mais pura hipocrisia.
E um dos professores, que barato. Velhaco, cabelo branco e sem tesoura desde os anos 60. Calça boca-de-sino e um jeitão de hippie que não perdeu o sonho. Apesar do detalhe, o cara é - ou parece ser - muito bom.
Se bem que, depois de quatro anos de graduação, farejo picaretagem à distância. E esse não fede, não.
Ontem dormi no ônibus, com direito a boca aberta e tudo mais. Depois um cara caiu no chão perto de mim e ficou lá, esticadão, com uma cara meio de bêbado, meio de dor. Talvez os dois. Tinha um monte de gente por ali. Fui embora. Ele ficou. Ele e o monte de olhos nele.
Logo bateu culpa. E vergonha da mulher me olhando quando acordei no ponto final. Ufa! Tem um pouco de Paraná aqui ainda.
***
A especialização vai bem, obrigado. No segundo dia já parti pro bate boca: "Deixa ela falar, meu! Só você que pode falar por aqui?" Depois eu e o cara que não deixava ninguém falar trocamos uma idéia pra ficar tudo de boa. Lógico que na mais pura hipocrisia.
E um dos professores, que barato. Velhaco, cabelo branco e sem tesoura desde os anos 60. Calça boca-de-sino e um jeitão de hippie que não perdeu o sonho. Apesar do detalhe, o cara é - ou parece ser - muito bom.
Se bem que, depois de quatro anos de graduação, farejo picaretagem à distância. E esse não fede, não.
8.8.05
Ontem dormi tarde, hoje acordei cedo, tenho que acordar cedo amanhã e vou dormir tarde hoje. Uau, estou ligadíssimo! Já tinha tentado a fórmula Kerouac + Bob Dylan + vinho, e foi catarse. Já vinho + Janis Joplin + Bukowski é tiro! É pico! E bota malditos exclamações aí!!!
(Isso fica horrível no texto, mas quem se importa?)
Fazia tempo que ela não gritava rouca no meu ouvido. Mas confesso que senti mais saudades do Velho Safado. Bukowski, esse é o cara.
Deitei e rolei com Leminski, ri e chorei com D. Trevisan, desentendi Clarice, fingi Nietzsche e por aí vai.
Bukowski é o cara.
Bukowski é certeiro, vai na mosca, no alvo. Não mira e não erra. De olho fechado te derruba, mas só o ponto certo pra te deixar com raiva, com vontade de levantar correndo e partir pro ataque de novo. Pra tomar outra, e outra, e outra. Desiste, você vai perder.
O Velho Safado, 71 anos, sem perder o punch.
Li – e preferi – Kerouac. Ginsberg e seus despertadores caindo na cabeça. Crumb e suas mulheres gordas. Não me venham falar dos beats. Só quero curtir o cara.
Bukowski é o cara.
Esse filho da puta tira o sono. É quase um pesadelo, não fosse tão delicioso.
E quem melhor pra odiar a humanidade?
Não, eu não odeio você. Só é divertido ler um cara metendo o pau nisso tudo aí em volta. Eu gosto de gente. Até admiro. Gente faz coisas fantásticas, cria e recria como quiser.
Se não gosta de uma coisa, resolve fácil. Derruba e faz outro.
Não gostou do texto? Apaga.
A foto ficou ruim? Tira outra.
A tinta escorreu? Passa outra mão.
O programa é chato? Muda de canal.
O país é bobochatofeio? Invade e monta outro. Nem que seja só para terminar o serviço que o papai deixou pela metade.
Simples assim.
Bukowski é o cara.
***
Chefes às vezes vêm com umas que são demais.
Dia desses o meu adaptou frase de Agosto, do Rubem Fonseca: “O corcunda sabe como dorme”.
Solta, livre, pululando no meio da tarde. E quem trabalha depois?
***
Fazia tempo – acho que desde sempre – que esse blog não tinha um post tão comentado, dentro e fora da net (coisa estranha, isso de dentro. Porra, como é que está dentro de uma coisa que tecnicamente não existe?). De Caçulas & Aniversários é meu grande sucesso.
***
Se alguém quiser saber, continua tudo igual na Cidade Grande – e Cinza. O mesmo trampo, o mesmo apê/baia/cafofo, as mesmas baladas, o mesmo trânsito. Mas as férias de julho deram uma folga pra um monte de carros. Só que eles já voltaram. Descobri que adoro trabalhar nas férias.
***
Bukowski continua o cara. É pico. É tiro. Ainda sem sono, ainda ligado, ainda pirado.
Uau.
Não que isso importe pra você – aliás, não me importa nem um pouco se você está ligando pra isso.
(Isso fica horrível no texto, mas quem se importa?)
Fazia tempo que ela não gritava rouca no meu ouvido. Mas confesso que senti mais saudades do Velho Safado. Bukowski, esse é o cara.
Deitei e rolei com Leminski, ri e chorei com D. Trevisan, desentendi Clarice, fingi Nietzsche e por aí vai.
Bukowski é o cara.
Bukowski é certeiro, vai na mosca, no alvo. Não mira e não erra. De olho fechado te derruba, mas só o ponto certo pra te deixar com raiva, com vontade de levantar correndo e partir pro ataque de novo. Pra tomar outra, e outra, e outra. Desiste, você vai perder.
O Velho Safado, 71 anos, sem perder o punch.
Li – e preferi – Kerouac. Ginsberg e seus despertadores caindo na cabeça. Crumb e suas mulheres gordas. Não me venham falar dos beats. Só quero curtir o cara.
Bukowski é o cara.
Esse filho da puta tira o sono. É quase um pesadelo, não fosse tão delicioso.
E quem melhor pra odiar a humanidade?
Não, eu não odeio você. Só é divertido ler um cara metendo o pau nisso tudo aí em volta. Eu gosto de gente. Até admiro. Gente faz coisas fantásticas, cria e recria como quiser.
Se não gosta de uma coisa, resolve fácil. Derruba e faz outro.
Não gostou do texto? Apaga.
A foto ficou ruim? Tira outra.
A tinta escorreu? Passa outra mão.
O programa é chato? Muda de canal.
O país é bobochatofeio? Invade e monta outro. Nem que seja só para terminar o serviço que o papai deixou pela metade.
Simples assim.
Bukowski é o cara.
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Chefes às vezes vêm com umas que são demais.
Dia desses o meu adaptou frase de Agosto, do Rubem Fonseca: “O corcunda sabe como dorme”.
Solta, livre, pululando no meio da tarde. E quem trabalha depois?
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Fazia tempo – acho que desde sempre – que esse blog não tinha um post tão comentado, dentro e fora da net (coisa estranha, isso de dentro. Porra, como é que está dentro de uma coisa que tecnicamente não existe?). De Caçulas & Aniversários é meu grande sucesso.
***
Se alguém quiser saber, continua tudo igual na Cidade Grande – e Cinza. O mesmo trampo, o mesmo apê/baia/cafofo, as mesmas baladas, o mesmo trânsito. Mas as férias de julho deram uma folga pra um monte de carros. Só que eles já voltaram. Descobri que adoro trabalhar nas férias.
***
Bukowski continua o cara. É pico. É tiro. Ainda sem sono, ainda ligado, ainda pirado.
Uau.
Não que isso importe pra você – aliás, não me importa nem um pouco se você está ligando pra isso.
25.7.05
17.7.05
DE CAÇULAS & ANIVERSÁRIOS
Três irmãos, e a caçula completa 18 anos (dia 14 passado) longe de casa. Lembro do dia que chorei ao vê-la, naquele aparelhinho bizarro que enxerga dentro dos outros. "É menina", brotou rosa em casa de três moleques. Cresceu mimada, princesa do pai e ciúme dos irmãos. Ganhou asas, ganhou o mundo, e agora - tomara - ninguém mais segura.
A irmãzinha que ia buscar no colégio, dava mão para atravessar rua, tinha medo de palhaço e cabelo cacheado, cadê? Por mais que 18 anos tenha, ou 20, ou 30, irmão mais velho sempre olha com cuidado.
Lá longe, para a Alemanha, vai um beijo de sucesso. Parabéns.
Três irmãos, e a caçula completa 18 anos (dia 14 passado) longe de casa. Lembro do dia que chorei ao vê-la, naquele aparelhinho bizarro que enxerga dentro dos outros. "É menina", brotou rosa em casa de três moleques. Cresceu mimada, princesa do pai e ciúme dos irmãos. Ganhou asas, ganhou o mundo, e agora - tomara - ninguém mais segura.
A irmãzinha que ia buscar no colégio, dava mão para atravessar rua, tinha medo de palhaço e cabelo cacheado, cadê? Por mais que 18 anos tenha, ou 20, ou 30, irmão mais velho sempre olha com cuidado.
Lá longe, para a Alemanha, vai um beijo de sucesso. Parabéns.
3.7.05
4.6.05
Só para quem tem a Força
Disse Gil, o ministro, que falta capitalismo ao cinema nacional.
Acabo de assistir Episódio III. História bem contada, apesar das péssimas atuações - à exceção de Palpatine -, e muito, mas muito marketing mesmo. O resultado está aí.
Agora, tirar grana do governo pra fazer filme que não entra nem em cartaz, é triste. O cara tem o projeto aprovado em alguma lei de incentivo à cultura - geralmente os mesmos - e corre atrás de empresas - geralmente as mesmas - para que elas, gentilmente, doem seus impostos para o filme. Não paga nada a mais e tem publicidade gratuita. Se o filme dá lucro, vai pro bolso de quem? Para o governo, que bancou a produção às custas de renúncia fiscal é que não volta.
Me pergunto se algum estúdio norte-americano dá dinheiro a fundo perdido a algum diretor megalomaníaco. A diferença. Ah, eles fazem filme comercial? Indústria cultural? Bom, são eles que estão ricos, e não essa terrinha de ninguém.
A propósito, sem filmes que dão muita grana eles não fariam outros que dão pouca e são muito bons, como Entre Umas e Outras.
Ah, o filme lá de cima, exemplo da indústria fílmica gringa, vale a pena. Mais que muito filme tupiniquim. E eu quero um sabre de luz há pelos 20 anos, mas não me lembro de nenhum objeto de algum filme verde-amarelo que me atice a cobiça. Acho que aqui ainda não descobriram como ganhar dinheiro.
Disse Gil, o ministro, que falta capitalismo ao cinema nacional.
Acabo de assistir Episódio III. História bem contada, apesar das péssimas atuações - à exceção de Palpatine -, e muito, mas muito marketing mesmo. O resultado está aí.
Agora, tirar grana do governo pra fazer filme que não entra nem em cartaz, é triste. O cara tem o projeto aprovado em alguma lei de incentivo à cultura - geralmente os mesmos - e corre atrás de empresas - geralmente as mesmas - para que elas, gentilmente, doem seus impostos para o filme. Não paga nada a mais e tem publicidade gratuita. Se o filme dá lucro, vai pro bolso de quem? Para o governo, que bancou a produção às custas de renúncia fiscal é que não volta.
Me pergunto se algum estúdio norte-americano dá dinheiro a fundo perdido a algum diretor megalomaníaco. A diferença. Ah, eles fazem filme comercial? Indústria cultural? Bom, são eles que estão ricos, e não essa terrinha de ninguém.
A propósito, sem filmes que dão muita grana eles não fariam outros que dão pouca e são muito bons, como Entre Umas e Outras.
Ah, o filme lá de cima, exemplo da indústria fílmica gringa, vale a pena. Mais que muito filme tupiniquim. E eu quero um sabre de luz há pelos 20 anos, mas não me lembro de nenhum objeto de algum filme verde-amarelo que me atice a cobiça. Acho que aqui ainda não descobriram como ganhar dinheiro.
3.6.05
Em cartaz, desde hoje, O Guia do Mochileiro das Galáxias. Só para quem sabe rir.
Ah, leia o livro homônimo. Não entre em pânico e leve uma toalha.
A resposta para a grande questão do universo é fácil: 42.
Ah, leia o livro homônimo. Não entre em pânico e leve uma toalha.
A resposta para a grande questão do universo é fácil: 42.
28.5.05
Já que a Barbara é a única leitora assídua que deixa recados neste espaço pouco requisitado, aí vai um post exclusivo.
Bá, morra de inveja! O show do White Stripes em Puerto Iguazu foi indescritíve! Nunca uma guitarra virtuose e uma bateria monossilábica foram tão complementares. Um absurdo.
Mas, pra quem tá na Itália, até que não um showzaço desses não faz tanta falta...
Se cuida aí. Bjo pra vc e um abraço pro maridão.
Bá, morra de inveja! O show do White Stripes em Puerto Iguazu foi indescritíve! Nunca uma guitarra virtuose e uma bateria monossilábica foram tão complementares. Um absurdo.
Mas, pra quem tá na Itália, até que não um showzaço desses não faz tanta falta...
Se cuida aí. Bjo pra vc e um abraço pro maridão.
17.5.05
11.5.05
Esse blog continua às moscas. Se eu escrever algo tipo as;dlkfj asdfk asdfk asfklaj sadl;kf ja;sdlfkj as;klfj a;sklfj asl;dkf as;dk fal;sdkj fa;sdlk f;asdklf s;akl f;asdlkfj sl;adkf asdl;kfj ;lasdk f;asldkfj ;aslkfj l;asdkfj oritu iuh gbion uvg awehug907 rt9u3 ry8- ninguém vai notar.
Mas que é meu, é. E ninguém tasca.
Mas que é meu, é. E ninguém tasca.
27.4.05
Sempre tive medo desses guichês rodoviários sem computador, com alguém (sempre um homem, parece que mulher não trabalha nessas empresas) de uniforme amassado e palito na boca parado na porta, com uma bola de suor embaixo do braço. No balcão só tem um telefone velho e o bloquinho de passagens. "Não vende antes não, aqui é só na hora. Cartão? 'Ceita não, hehehe." E eu ainda pergunto, ora essa.
Nem duzentos quilômetros separam Paranavaí de Campo Mourão. Demorei cinco horas, com direito (ou obrigação?) de fazer baldeação.
E ainda tem quem insista em fazer turismo nesse país...
Nem duzentos quilômetros separam Paranavaí de Campo Mourão. Demorei cinco horas, com direito (ou obrigação?) de fazer baldeação.
E ainda tem quem insista em fazer turismo nesse país...
Assessor de imprensa serve pra isso mesmo: assessorar a imprensa quando os chacais precisam de informação de, por exemplo, uma empresa. Aí esse profissional - que em Portugal obedece a uma legislação e a um código de ética diferente do jornalista, mas isso não vem ao caso, até porque um freela com de vez em quando assessoria salva muito colega por aí - faz a ponte entre o repórter e a fonte. Ou assim espera-se.
Incomoda quando um destes profis querem aparecer mais que a estrela.
Dia desses um assessor só queria marcar entrevista com meu suposto entrevistado depois de ver a revista onde trabalho. (viva o Sedex) Disse que viu e fui pro interior do Paraná, há 12 h de ônibus de São Paulo. E o filho da puta não tinha nem folheado a revista e nem marcado a entrevista!
Com cara de bobo, entrevistei assessor. Que me disse :"Isso tudo que eu falei você pode pôr na voz dele [quem eu deveria ter entrevistado]".
Não adianta insistir. A matéria só sai se eu conseguir falar de verdade - agora, por telefone - com o cara.
Incomoda quando um destes profis querem aparecer mais que a estrela.
Dia desses um assessor só queria marcar entrevista com meu suposto entrevistado depois de ver a revista onde trabalho. (viva o Sedex) Disse que viu e fui pro interior do Paraná, há 12 h de ônibus de São Paulo. E o filho da puta não tinha nem folheado a revista e nem marcado a entrevista!
Com cara de bobo, entrevistei assessor. Que me disse :"Isso tudo que eu falei você pode pôr na voz dele [quem eu deveria ter entrevistado]".
Não adianta insistir. A matéria só sai se eu conseguir falar de verdade - agora, por telefone - com o cara.
18.4.05
1.4.05
28.3.05
HOJE EU ODEIO SÃO PAULO
Visitar Londrina é melhor que ir à praia. Voltar a São Paulo...
Em Londrina tudo ainda está lá, do jeito que ficou e como deveria estar. O Bar do Jota, o Igapó, a lua grande, imensa e apetitosa como rosquinha que saiu do forno. A casa da vó, o colo da namorada. Em São Paulo, um bom-dia de céu cinzento, bruto, ardido até a alma. Dias assim eu odeio São Paulo.
Odeio o teto escuro às 10h da manhã, odeio o trânsito louco, sem sentido e buzinado. Odeio essa burrice umbiguista de quem, de tanto ter tudo, não sabe onde fica nada além de Praia Grande ou depois do ABC. Odeio odeio odeio.
Odeio como quem desgosta de xarope amargo, dor-de-dente e ônibus perdido. Odeio pesado, desses que carolas dizem “Deus me livre”.
Deixar Londrina causa estranheza à Cidade Grande – e Cinza, que parece ainda mais sombria e solitária. Deixar Londrina parece demência demorar 1h15 pra ir trabalhar, mais 1h30 pra voltar. Deixar Londrina faz odiar São Paulo e todas suas esquinas de calabresa, marguerita, mussarela e aliche.
São Paulo amanhece triste, passa o dia correndo e deita sozinha. São Paulo cospe na rua, não pede licença e empurra o tempo todo. São Paulo fede, é feia e escuta pagode o dia inteiro. Não conhece o lado de lá e diz isso com orgulho, porque o lado de lá existe em São Paulo – ou, pelo menos, um restaurante.
São Paulo olha por cima e arrota ser grande, mas tem medo de andar de trem. Não dorme, mas tranca tudo à noite (de dia também). São Paulo tem medo de gente, de escuro e de chuva.
Londrina chove bonito, anda a pé e vai-se perto. Londrina é quente, abraça e conhece o visitante.
Mas não tem emprego. E a Mari vai embora.
Acho que é isso, mas hoje eu odeio São Paulo.
Visitar Londrina é melhor que ir à praia. Voltar a São Paulo...
Em Londrina tudo ainda está lá, do jeito que ficou e como deveria estar. O Bar do Jota, o Igapó, a lua grande, imensa e apetitosa como rosquinha que saiu do forno. A casa da vó, o colo da namorada. Em São Paulo, um bom-dia de céu cinzento, bruto, ardido até a alma. Dias assim eu odeio São Paulo.
Odeio o teto escuro às 10h da manhã, odeio o trânsito louco, sem sentido e buzinado. Odeio essa burrice umbiguista de quem, de tanto ter tudo, não sabe onde fica nada além de Praia Grande ou depois do ABC. Odeio odeio odeio.
Odeio como quem desgosta de xarope amargo, dor-de-dente e ônibus perdido. Odeio pesado, desses que carolas dizem “Deus me livre”.
Deixar Londrina causa estranheza à Cidade Grande – e Cinza, que parece ainda mais sombria e solitária. Deixar Londrina parece demência demorar 1h15 pra ir trabalhar, mais 1h30 pra voltar. Deixar Londrina faz odiar São Paulo e todas suas esquinas de calabresa, marguerita, mussarela e aliche.
São Paulo amanhece triste, passa o dia correndo e deita sozinha. São Paulo cospe na rua, não pede licença e empurra o tempo todo. São Paulo fede, é feia e escuta pagode o dia inteiro. Não conhece o lado de lá e diz isso com orgulho, porque o lado de lá existe em São Paulo – ou, pelo menos, um restaurante.
São Paulo olha por cima e arrota ser grande, mas tem medo de andar de trem. Não dorme, mas tranca tudo à noite (de dia também). São Paulo tem medo de gente, de escuro e de chuva.
Londrina chove bonito, anda a pé e vai-se perto. Londrina é quente, abraça e conhece o visitante.
Mas não tem emprego. E a Mari vai embora.
Acho que é isso, mas hoje eu odeio São Paulo.
9.3.05
7.3.05
Por estas noites precisava de doses cavalares de rock. Uma dessas noites de gala, quando tudo sai perfeito. Seria capaz de ouvir a noite inteira Nirvana, The Clash e Ramones. Nada melhor que o entorpecente refrão de "Should I stay or should I go?", a histeria de "Smeels like teen spirit" ou as poucas - e enbriantes - notas de qualquer música do clã Ramone. O hipnótico ritmo de "Paranoid", do Black Sabbath, abriria a noite com maestria. Nada de Strokes, Pearl Jam, The White Stripes, Pixies, The Hives e tantos outros que recheiam minha lista de "preferidos". Apenas os clássicos.
Cansado que estava (andara o dia inteiro atrás de apartamento), dormi cedo, ainda às 20h. Acordei uma hora depois, com uma horrível enxaqueca. E Balão Mágico (sim, aquele do Juninho Bil) martelando na cabeça.
Meu primeiro fim de noite sem botar o nariz na rua.
Cansado que estava (andara o dia inteiro atrás de apartamento), dormi cedo, ainda às 20h. Acordei uma hora depois, com uma horrível enxaqueca. E Balão Mágico (sim, aquele do Juninho Bil) martelando na cabeça.
Meu primeiro fim de noite sem botar o nariz na rua.
4.3.05
Ganhei de aniversário um dos melhores livros que já li. Joel Silveira, autor de "A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista", nascido em 1918 e ainda ferrenho, prova que jornalismo também pode ser uma deliciosa literatura. Se o cobrador do ônibus apelidasse os passageiros de todo dia, seria eu "aquele do livro preto embaixo do braço". Excelente a passagem, ácida, sobre os grã-finos paulistanos, escrita em 1943:
Os motores das fábricas estão trabalhando muito. Já não há vagas nos domínios dos Matarazzo e dos Crespi. Os enormes portões da Mooca não se fecham: expulsam, de manhã bem cedo, uma turma de gente cansada e cinzenta, engolem mais gente que se cansará durante o dia. Os relatórios, sempre exatos, nos contam coisas muito importantes. Dizem, por exemplo, que os lucros dos Matarazzo no ano passado foram de 700 milhões de cruzeiros. É muito dinheiro e com ele os Matarazzo podem fazer grandes e belas coisas. Algum dia (quem sabe?), Matarazzo fará um refeitório ventilado e claro para seus operários. Fará também uma maternidade para as mulheres dos operários, não uma maternidade elegante e cara, a melhor da América do Sul, como a que ele ergueu lá para os lados da avenida Nove de Julho; apenas uma maternidade sóbria, mas que seja de graça.
Excelente presente. Tem gente (como a Barbara e a Marcela) que sabe exatamente o que a gente quer.
Os motores das fábricas estão trabalhando muito. Já não há vagas nos domínios dos Matarazzo e dos Crespi. Os enormes portões da Mooca não se fecham: expulsam, de manhã bem cedo, uma turma de gente cansada e cinzenta, engolem mais gente que se cansará durante o dia. Os relatórios, sempre exatos, nos contam coisas muito importantes. Dizem, por exemplo, que os lucros dos Matarazzo no ano passado foram de 700 milhões de cruzeiros. É muito dinheiro e com ele os Matarazzo podem fazer grandes e belas coisas. Algum dia (quem sabe?), Matarazzo fará um refeitório ventilado e claro para seus operários. Fará também uma maternidade para as mulheres dos operários, não uma maternidade elegante e cara, a melhor da América do Sul, como a que ele ergueu lá para os lados da avenida Nove de Julho; apenas uma maternidade sóbria, mas que seja de graça.
Excelente presente. Tem gente (como a Barbara e a Marcela) que sabe exatamente o que a gente quer.
24.2.05
Chega dessa história. Não adianta, eu não engordo e ponto. Já fiz natação e basquete, todos os dias da semana, por dois anos. Nenhum músculo se moveu. Já fiquei por muito tempo - mais de dois anos, seguramente - comendo bolacha e vendo TV a tarde inteira. Nenhum quilinho. Comer doces, bolos, tortas, massas e afins? Morei 6,5 anos com minha vó, a melhor cozinheira que conheço. E nem fez cócega. Há tempos (e bota tempo nisso) tento criar uma barriguinha. Dessas mesmo, que você tem pavor. Meu sonho é apoiar a bacia de pipoca na barriga pra ver jogo de futebol domingo à tarde. Só uma barriguinha, meu Deus! Dessas de descançar os braços na fila do banco, e deitar de lado pra não parecer gangôrra. Nem durante a faculdade, a celebração de tantas cervejas a R$ 1,00, fez efeito. E não me venham com essa de comer mais, que o prato de caminhoneiro de todo almoço me deixa quase com vergonha.
Adianta não. Nasci pra cachorro de rua.
Adianta não. Nasci pra cachorro de rua.
21.2.05
20.2.05
NA PONTE
Ontem foi dia de fazer rappel no viaduto do Sumaré. Para quem já desceu 60 metros de ponta-cabeça, os 28 metros dali eram fichinha. Ah, e quem disse que isso importa? E a adrenalina? Volto pra lá o mais rápido possível. O desafio, agora, é o pêndulo. Mas aí precisa de mais culhão. "Vixi", como diriam os bons e velhos pés-vermelhos.
Ontem foi dia de fazer rappel no viaduto do Sumaré. Para quem já desceu 60 metros de ponta-cabeça, os 28 metros dali eram fichinha. Ah, e quem disse que isso importa? E a adrenalina? Volto pra lá o mais rápido possível. O desafio, agora, é o pêndulo. Mas aí precisa de mais culhão. "Vixi", como diriam os bons e velhos pés-vermelhos.
19.2.05
14.2.05
12.2.05
A polícia paulistana sempre meteu medo, ainda mais depois da favela naval, em Diadema. Até que fazem um esforço para melhorar a imagem dos hômi, mas eu não boto a mão no fogo, não. Lei para quê, se até o policial fardado e em serviço na praça da República, centrão de São Paulo, compra CD pirata? Assim, de tarde, sem nem olhar pro lado pra ter certeza que ninguém tá vendo?
Viva os informais, que não precisam pagar esse absurdo de imposto que reina por aí.
Viva os informais, que não precisam pagar esse absurdo de imposto que reina por aí.
FAMOSAS ESQUINAS
Quarta-feira de cinzas descobri a razão da "deselegância discreta de suas meninas," na música de Caetano sobre as esquinas da Ipiranga com a São João. Eram 15h30, e todos os cartazes, banners e luminosos convidavam para strip-teases, sexo ao vivo, garotas capa-de-revista e afins. Bem pertinho dali fica o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. É a região da prostituição. Do corpo e da informação.
Quarta-feira de cinzas descobri a razão da "deselegância discreta de suas meninas," na música de Caetano sobre as esquinas da Ipiranga com a São João. Eram 15h30, e todos os cartazes, banners e luminosos convidavam para strip-teases, sexo ao vivo, garotas capa-de-revista e afins. Bem pertinho dali fica o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. É a região da prostituição. Do corpo e da informação.
2.2.05
Missão ainda não cumprida em São Paulo (nossa, quanto "são"). Achar Antarctica barata perto de casa. Na quadra de casa tem três botecos. Desses botecos mesmo, que abrem às 7 da manhã pra servir conhaque, pinga e cerveja pra quem vai trabalhar. Três botecos sujos, feios, assustadores, mas com o preço lá em cima. O mais barato: Skol pra levar, R$ 2,50. No mercado do lado de casa não vende cerveja (pode?!) e nem tentei na padaria, onde um pingado e um pão com manteiga (friozinho mesmo, sem pôr na chapa) custa R$ 2,10. Sei lá, vai que morde?
29.1.05
28.1.05
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