4.3.05

Ganhei de aniversário um dos melhores livros que já li. Joel Silveira, autor de "A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista", nascido em 1918 e ainda ferrenho, prova que jornalismo também pode ser uma deliciosa literatura. Se o cobrador do ônibus apelidasse os passageiros de todo dia, seria eu "aquele do livro preto embaixo do braço". Excelente a passagem, ácida, sobre os grã-finos paulistanos, escrita em 1943:

Os motores das fábricas estão trabalhando muito. Já não há vagas nos domínios dos Matarazzo e dos Crespi. Os enormes portões da Mooca não se fecham: expulsam, de manhã bem cedo, uma turma de gente cansada e cinzenta, engolem mais gente que se cansará durante o dia. Os relatórios, sempre exatos, nos contam coisas muito importantes. Dizem, por exemplo, que os lucros dos Matarazzo no ano passado foram de 700 milhões de cruzeiros. É muito dinheiro e com ele os Matarazzo podem fazer grandes e belas coisas. Algum dia (quem sabe?), Matarazzo fará um refeitório ventilado e claro para seus operários. Fará também uma maternidade para as mulheres dos operários, não uma maternidade elegante e cara, a melhor da América do Sul, como a que ele ergueu lá para os lados da avenida Nove de Julho; apenas uma maternidade sóbria, mas que seja de graça.

Excelente presente. Tem gente (como a Barbara e a Marcela) que sabe exatamente o que a gente quer.

Um comentário:

Anônimo disse...

ÊÊÊÊÊ
Que bom que vc gostou querido.
Delicioso dar presentes, principamente com esse feedback.

Beijos

*OBS: Desculpa pelo findi. Foi o maior perrengue e eu tava sem o seu telefone porque meu celular ficou mortinho o final de semana inteiro já que meu carrgedor ficou em Sampa. Eu tava na casa do meu tio e só lembrava o tel da MAri de Londrina. Dai liguei pra ela, mas ninguém atendia...;(
Desculpa mesmo.