ETA VIDA BESTA
Às vezes a gente é pego tão de sopetão que até acha que é mentira, brincadeira de mau gosto ou um sonho chato que ainda não terminou.
Ainda descobria de fato o que era o jornalismo quando conheci Francelino França, então jornalista do caderno cultural da Folha de Londrina. Corria 2001, eu estava no segundo ano do curso e trabalhava na produção do Festival Internacional de Teatro de Londrina - Filo. E o França sempre aparecia por lá, cobrindo os grupos que eu tinha que acompanhar. Um ano depois fizemos um curso de cinema juntos, e mais tarde ele era meu chefe no documentário "Londrina em Três Movimentos".
Tomei bronca e aprendi pra caramba com ele, que virou banca do meu TCC. E aquelas palavras que disse no final da minha apresentação sempre irão me acompanhar, algo como um mantra, algo como um aviso, algo como um puxão de orelha do amigo mais velho: "o mercado está ganhando um jornalista com ética e responsável". Pode deixar, mestre. É uma ordem. Um garoto de 23 anos recebendo os parabéns de um jornalista com, sei lá, uns 45/50 - o França nunca contava pra ninguém quantos anos tinha. E mais: um jornalista que eu admirava. Com texto excelente, com muita informação "extra-pauta" e com aquele gostinho bom de caderno cultural.
Vi poucas vezes meu amigo França depois que vim pra São Paulo. Mas sempre estive meio que na cola dele, fuçando aqui e ali, atrás de informações sobre "Maria Angélica", o filme que ele dirigia. Depois de anos batalhando, ele finalmente realizava o sonho de dirigir um filme. Com um roteiro original, feito pelo próprio, lapidado e construído por um ator, jornalista e exímio conhecedor do negócio.
Ontem Fança foi embora e deixou uma obra inacabada. Terminou as filmagens, mas não viu o filme editado. Trabalho pra patota de Londrina, que deve a ele uma grande homenagem.
Adeus, França.
Valeu. Obrigado. Um dia a gente se encontra de novo.
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