HOJE EU ODEIO SÃO PAULO
Visitar Londrina é melhor que ir à praia. Voltar a São Paulo...
Em Londrina tudo ainda está lá, do jeito que ficou e como deveria estar. O Bar do Jota, o Igapó, a lua grande, imensa e apetitosa como rosquinha que saiu do forno. A casa da vó, o colo da namorada. Em São Paulo, um bom-dia de céu cinzento, bruto, ardido até a alma. Dias assim eu odeio São Paulo.
Odeio o teto escuro às 10h da manhã, odeio o trânsito louco, sem sentido e buzinado. Odeio essa burrice umbiguista de quem, de tanto ter tudo, não sabe onde fica nada além de Praia Grande ou depois do ABC. Odeio odeio odeio.
Odeio como quem desgosta de xarope amargo, dor-de-dente e ônibus perdido. Odeio pesado, desses que carolas dizem “Deus me livre”.
Deixar Londrina causa estranheza à Cidade Grande – e Cinza, que parece ainda mais sombria e solitária. Deixar Londrina parece demência demorar 1h15 pra ir trabalhar, mais 1h30 pra voltar. Deixar Londrina faz odiar São Paulo e todas suas esquinas de calabresa, marguerita, mussarela e aliche.
São Paulo amanhece triste, passa o dia correndo e deita sozinha. São Paulo cospe na rua, não pede licença e empurra o tempo todo. São Paulo fede, é feia e escuta pagode o dia inteiro. Não conhece o lado de lá e diz isso com orgulho, porque o lado de lá existe em São Paulo – ou, pelo menos, um restaurante.
São Paulo olha por cima e arrota ser grande, mas tem medo de andar de trem. Não dorme, mas tranca tudo à noite (de dia também). São Paulo tem medo de gente, de escuro e de chuva.
Londrina chove bonito, anda a pé e vai-se perto. Londrina é quente, abraça e conhece o visitante.
Mas não tem emprego. E a Mari vai embora.
Acho que é isso, mas hoje eu odeio São Paulo.
2 comentários:
eu tb! ;)
eu tb! ;)
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