HABLANDO MALNa Argentina não poderia deixar de discutir sobre Pelé e Maradona. Lá pelas tantas, o Shaman, amigo da Mari que eu conheci por lá, me disse: "Deixa a gente, que a gente só tem ele. Vocês têm Pelé, Zico, Branco, Ronaldo, Ronaldinho, Romário, Adriano, Robinho..." e disparou a falar nome de brasileiro.
E me explicou que o povo gosta do Maradona porque ele é assim: do povo. É um cara que não estudou, só fala abobrinha e ganha grana pra fazer o que gosta (não é o Lula não, viu). Tatua Che Guevara e vive no luxo. Não sai da imprensa e briga com todo repórter. "Es un villero", diz. "Villero" é quem vem de vila, no sentido mais pejorativo do termo. E eles adoram essa dualidade de Don Diego. Pois bem.
Quem quiser dar muita risada e depois sentir raiva do dinheiro gasto com a entrada, "Amando a Maradona" (Amando a Maradona - una película sobre el amor incondicional, 2005, Argentina) vai passar no 11º É Tudo Verdade, festival de documentários que teve início hoje (23/03) e vai até dia 02/04 que vem em São Paulo e no Rio. Em Campinas e em Brasília eu não sei quando começa nem termina. Mas no site tem.
Tive o privilégio e o desprazer de pegar uma das primeiras sessões do filme no dia de seu lançamento, em Buenos Aires. O roteiro é péssimo, a fotografia é horrível, os depoimentos são fracos e a edição piorou tudo. O tema tinha tudo para dar um belo produto - a idolatria absurda que os argentinos têm pelo maior jogador que los hermanos já tiveram. Mas o filme é um lixo.
Começa com um idiota de uns 20 anos se derramendo em lágrimas e dizendo que ama o coiso mais que a seu próprio pai. Aí vêm os marmanjos tatuados, a turma com a camisa nº 10, a infância sofrida, e a inacreditável igreja maradoniana. Aqui eu me recuso a botar maiúsculas por respeito ao Pelé. Que é exatamente onde eu queria chegar.
A maior parte do documentário é ocupado com tentativas de mostrar que o dito cujo é melhor que o Rei. Imagine - quem assistiu Pelé Eterno viu os maiores jogadores do mundo, inclusive argentinos, elogiarem nosso camisa 10 - Valderrama, aquele cabeulo feio da Colômbia, dizendo que Maradona é seu ídolo. Só podia dar naquilo! Mas isso é o de menos.
Como todo argentino, o filme tenta, desesperadamente, mostrar a suposta superioridade de Dieguito. Aí aparece ele gordo, em Cuba, durante a recuperação química, perguntando: "Quem é Pelé? Esse tipo aparece com uma gravata dos EUA", referindo-se à época que Pelé jogou por lá. É, no mínimo, hilário. E o gordo refestela-se, às custas do povo cubano, no palácio castrista.
E a culpa a João Havelange pela desclassificação de Maradona da Copa 94, por dopping? Preste atenção, porque você vai rir tanto que vai perder a melhor parte do filme.
Lá está, à sua disposição, esta peça rara. Aliás, os argentinos terão sempre que se contentar com o segundo lugar. Tanto que até Pelé Enterno - que é uma porcaria, não fosse pelos gols - é melhor que o filme argentino.
Um comentário:
huahuahuahua. muito bom!
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