Daqui a pouco vou pra mais uma fila do 11º É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários, em SP. Acaba domingo.
Um festival muito bom, mas com aquele defeito de boa parte dos maiores - senão todos - eventos culturais do Brasil: uma enorme dependência do poder público. Nessas, o público sai ganhando com uma: é de graça.
Mas, como eu já disse por aqui, isso acaba sendo um gasto enorme de recursos. Contei 120 sessões em seis espaços diferentes, só em São Paulo. Fora as sessões do Rio, de Brasília e Campinas. Pois bem. Festivais de Cultura no Brasil são assim (eu sei, sou um assíduo freqüentador deles), sempre com o mesmo público. As mesmas pessoas em todos os mesmos festivais. Gente que bem poderia pagar R$ 5 para ver umas seis sessões. Ora, se no Festival Internacional de Cinema há aqueles que tiram mais de R$ 100 do bolso e compram os multi-ingressos, bem que neste poderia funcionar assim.
Não sou contra financiamento público das artes no Brasil. Não temos mecenas. Mas também não há necessidade de se torrar grana desse jeito. E olha que eu já participei de dois filmes feitos com recursos municipais. E em ambos conseguimos dinheiro extra com patrocinadores fora de leis de incentivo.
Está na hora de rever algumas coisas. Cultura de graça para uma classe que tem dinheiro - não estou falando de endinheirados, mas é gente que consome cinema, livros, cerveja, balada etc. - é triste. A cultura nesse país só vai para frente quando o produtor da obra virar profissional e viver disso. E pagar para ver a obra do cara é uma puta forma de reconhecimento.
Fora que o dinheiro gasto a mais poderia ir para outras áreas. Cultura para o povão, por exemplo. Faça as contas: média de 30 pagantes, com média de R$ 5 (estudantes e inteiras), em 120 sessões. Dá R$ 18 mil reais. Só em São Paulo. Tem projeto social com muito menos que isso por aí.
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