6.4.06

LEITURAS

Fim de livro que se gosta é triste. Hoje é um dia triste. Me abandonou o companheiro de mais de mês, o "Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha", Cervantes primorosamente traduzido por Sérgio Molina e em bela edição bilingüe e ilustrada da Editora 34. Mas confesso que a leitura em espanhol fica para outra ocasião.
Dom Quixote é quase um brasileiro. Um latino-americano por completo. Perdido, sonhador, irremediavelmente otimista de que no final tudo dará certo e de acordo com seus planos.
O livro não marca apenas o nascimento do romance moderno. É prova cabal de que esse nossa teimosia terceiro-mundista latino-americana, que acredita em Collors, Lulas, Fidéis, FHCs, Chávez etc., vem de longe. E vem com gosto. Vem deliciosamente bem escrita.

Dia triste, mas que logo se esvai. Veio na bagagem para Cascavel (PR), quase clandestinamente, um fortuito "Misto Quente", do sempre excelente companhia Bukowski. Divide tempo e paciência com leituras obrigatórias das três aulas que faltarei da pós. Sem problemas. Pro Bukowski, a gente sempre acha lugar.

"O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha - Primeiro Livro", de Miguel de Cervantes Saavedra. (tradução de Sérgio Molina; gravuras de Gustave Doré. São Paulo: Ed. 34, 2002)
"Misto Quente", de Charles Bukowski. (tradução de Pedro Gonzaga. Porto Alegre: L&PM, 2005)

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