22.7.06

Não vou votar no Lula. Me sobra Alckmim. Não sei se vou votar nele, mas não queria anular meu voto. Heloisa Elena e Cristóvam Buarque, sem chances. Gosto dos dois, mas como senadores. É o tipo de político que falta no Brasil. Mas para presidente, necas. Não vou votar no Lula por motivos óbvios: corrupção. Eu sei, todos tiveram, o FHC tem histórias mal explicadas, mas Lula veio justamente para acabar com a pouca vergonha. Que só cresceu.
Não gosto o Alckmim. E me assusta sua política de segurança pública: mais prisões. Para usar a gíria bandida, mais faculdade. Como se a solução fosse varrer tudo para baixo do tapete - ou para dentro da carceragem. Sob seu comando São Paulo construiu presídios e lotou as celas, hoje com mais de 140 mil presos. E deu no que todo mundo viu.
Dias atrás escrevi sobre isso. Prometi mandar para algum jornal, mas desisti.


SEGURANÇA PÚBLICA PARA QUEM?

Soluções para a crise na segurança pública de São Paulo vêm aos montes agora, mas algumas em especial encontram voz em qualquer adolescente com um pouco menos de vídeo-game na cabeça. Educação e emprego, para evitar futuros delinqüentes, e penas alternativas para criminosos de menor periculosidade.
É desnecessário discorrer sobre a mudança social que uma boa educação pode possibilitar. Para aprender de verdade, entretanto, o estômago do estudante não pode competir com a lousa. Seja na escola ou em casa, o jovem carece de alimentação adequada para conseguir assimilar conteúdo e raciocinar corretamente. E emprego... bom, o tema dispensa qualquer comentário.
O Estado talvez encontre nas penas alternativas um modo de diminuir a tensão gerada pelo crime organizado. Se a bandidagem chama o presídio de faculdade, imagine o que um reles batedor de carteira não aprende lá dentro. Entra trombadinha e sai membro de organização criminosa. Convive com seqüestradores, assassinos, ladrões de banco, falsificadores e todo um leque de contraventores de todos os portes, ajudando a abarrotar as já superlotadas cadeias nacionais.
Para quê serve a prisão? A meu ver, é um castigo social imposto àqueles que fogem das regras estabelecidas para a boa convivência em comunidade. Alija-se o criminoso da sociedade, na esperança de desencorajá-lo a cometer novos delitos. Também é – ou deveria ser – uma forma de reintroduzi-lo no convívio social, após cumprida a pena, como um membro, e não pária, da comunidade.
A população carcerária do estado de São Paulo passa da centena de milhar. A maioria passa o dia em celas apertadas junto, com dezenas de outros condenados, fazendo nada. É de se imaginar o tipo de conhecimento que adquirem nesta faculdade. Os presos criaram uma sociedade própria, com regras estabelecidas por eles e destoantes dos códigos e regulamentos que norteiam a vida de quem anda na linha. Assim, a cadeia não é mais um castigo, já que ali o bandido encontra uma comunidade onde ele facilmente se integra.
Presos de menor periculosidade e de fácil reinserção social deveriam estar fora das grades, cumprindo penas como serviços comunitários, varrição de ruas, obras em igrejas, limpeza de terrenos baldios e fundos de vale, auxílios em asilos e creches, e mais um sem-número de opções. Aprendem valores como disciplina, hierarquia, respeito e auto-estima, além de darem importância ao trabalho e às conquistas provenientes dele.
Já os perigosos, estes sim, devem ser trancafiados atrás de portões de ferro. No entanto, assim como os outros, também devem ser condenados ao trabalho. De preferência, trabalho manual e cansativo. Depois de uma jornada, tal qual todo trabalhador honesto, não irão querer saber de nada além de uma boa noite de sono. E adeus rebeliões, adeus facções, adeus terror nas ruas. De quebra, o Estado gastaria menos com o sistema carcerário e teria, imagino, menos problemas com segurança pública.
Para todos os efeitos, o condenado que trabalhar tem parte de sua remuneração guardada em poupança, parte usada para gastos pessoais (sabonete, roupa de cama etc.) e parte usada para seus gastos prisionais. A redução na pena é um estímulo para o próprio continuar no trabalho. Os benefícios são muitos, muitos são os exemplos já existentes e muitas são as pessoas que discutem a implementação destas idéias. Lamentavelmente, poucas são as chances de elas virem a ser postas em prática. Poucas, também, são as vontades dos governantes e uma – há tempos esperada – política de Estado, e não um joguinho de toma-lá-dá-cá e de empurra-empurra entre grupos e partidos que se revezam no poder.

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