Não me chamem de anti-semita, mas...
A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) dizimou a Europa Central. O conflito central era entre católicos e protestantes na Alemanha (que ainda não era Alemanha), tanto por motivos religiosos quanto políticos. A Guerra teve pé na França e na Suécia, e deixou danos gravíssimos no continente. O maior de todos foi demográfico. Quer dizer, morreu gente pra caramba. Algumas regiões da Alemanha só igualaram a população existente antes do conflito no século XX, 300 anos depois de passado o confronto.
E daí? Daí que depois dessa guerra começou-se a falar em direitos e afins. Nada tão pontual como crimes de guerra, mas descobriu-se que há limite para tudo. Até para a guerra. E um dos limites é o respeito à população civil. Isso foi há mais de 300 anos, antes da Revolução Francesa, e portanto não era nada tão bonitinho, não. Mas já mostravam preocupação com o dito povo.
O tempo passou, e depois da Segunda Guerra houve a mesma discussão. Por exemplo: Na época, os EUA jogaram as bombas sobre Hiroshima e Nagazaki para forçar a rendição do Japão. Na verdade, puniram os civisi pelos erros de seu governo. Hoje isso já não seria aceito. Suponhamos que Sadam Hussein merecesse tudo aquilo. Pois bem. Tirá-lo do poder e sufocar seu governo é uma coisa. Outra coisa - que os EUA nem ninguém um pouco civilizado seria louco de fazer - é dizimar a população com uma bomba atômica por culpa do dirigente. É óbvio que há torturas e execuções cometidas por soldados ianques no Iraque, mas nada que possa ser chamado de um ataque em massa contra civis por conta de seu regime político.
Todo esse rodeio para dizer: por quais razões desconhecidas ninguém dá a mínima pelo ataque israelense contra o Líbano? Já são 280 civis mortos, e os militantes do Hessbollah que morreram não enchem duas mãos! Segundo consta, os feridos batem a casa de 850 pessoas. Meio milhão de pessoas - meio milhão! quinhentos mil cidadãos! - abandonaram suas casas com medo do bombardeio.
Ora, qualé? Israel já passou dos limites. Defender-se vá lá. Desmantelar um grupo terrorista, idem. Mas fazer isso às custas de vidas inocentes? Em que século nós estamos? Em que mundo vivemos? Só existem direitos para ocidentais? E deveres? Só para árabes? Qualé, gente, qualé? Eu não consigo acreditar neste absurdo.
Concordo que existam terroristas. Concordo que tem um bando de loucos por aí com bombas amarradas no corpo. Mas também concordo que Israel roubou - sim, roubou - território palestino.
O território onde foi criado Israel era de domínio inglês. Sem forças, depois da Segunda Guerra, pra continuar com ele, resolveu doar o espaço para a formação do Estado judeu. Não levaram em consideração - eles nunca levam - os milênios de civilização árabe que existia ali. Então Israel foi crescendo, trazendo gente de todo canto, e precisava de mais terra pra plantar. Não preciso dizer de quem era a terra.
E agora, por causa de dois soldados, um Estado julga-se no direito - e o pior, todo mundo concorda - de atacar Deus (no caso, Alá) e o mundo. É o tipo de comportamento que se espera de terroristas: atacar quem não tem condições de se defender. Vemos um exército nacional, um país, um Estado, atacar brutalmente uma população de mulheres, crianças, velhos e trabalhadores. Vemos um governo destruir rede elétrica, reservatórios de água (devo lembrar que lá é deserto pra todo lado?), aeroportos, estradas e caminhões de ajuda humanitária. Vemos um regime democraticamente eleito usar da força e massacrar um já combalido Líbano, um povo suplicante de vida, uma nação arasada que insiste em se preservar, uma população que sofre nas mãos do Hesbollah. E quê?
Ao invés de sufocar regimes que defendem o grupo, como Síria e Irã, preferem brincar de pontaria em casas de família. Por que será? Medo? Cagaço puro de quem tem exército para revidar? Ou puro descaso com árabes (mesmo que no Líbano haja cristãos)? Seja lá qual for a resposta, ela é preocupante. Israel faz e desfaz na região, como se fosse um grupo terrorista cuja única missão é acabar com o outro lado. Igualzinho o Hesbollah.
Não sou anti-semita. Também não sou anti-americano, ou anti-chinês, ou anti-sírio, ou anti-venezuelano. Mas tem uns regimes políticos por aí que vou te contar...
2 comentários:
México, o que vc me diz dos diários do Kerouac? estou com 50 reais sobrando mas não sei se devo? vc considera dispensável ou não?
Cara, não é o bicho, não. Só se vc quiser realmente sacar o cara, suas nóias e tal. É um diário mesmo, sem o estilo de seus livros. Recomendo "Vagabundos Iluminados" e "Viajante Solitário" antes de "Diários".
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